Amefricanidade e Rebelião: A Contribuição do Marxismo Negro para a Descolonização do Saber no Serviço Social
Serviço Social. Marxismo Negro. Amefricanidade. Decolonialidade. RelaçõesRaciais
A presente dissertação analisa a contribuição do Marxismo Negro e do pensamento decolonial para a descolonização do saber e da práxis no Serviço Social brasileiro. Partindo da premissa de que a formação social do Brasil é estruturada pelo racismo e pela colonialidade, o estudo questiona as limitações da tradição marxista eurocêntrica, hegemônica na categoria, para apreender as particularidades da "Amefricanidade". A pesquisa adota o materialismo histórico-dialético territorializado como método, integrando as categorias de raça, classe e gênero como dimensões indissociáveis da realidade social. O percurso metodológico consistiu em pesquisa bibliográfica e documental, bem como na realização de entrevistas com assistentes sociais e intelectuais negras que são referência no debate racial na profissão. O trabalho resgata o protagonismo de figuras históricas silenciadas pelo "memoricídio" institucional e examina como o "Pacto da Branquitude" opera na manutenção de saberes universais que ignoram as vivências dos sujeitos subalternizados. Os resultados apontam para a urgência de uma reforma epistêmica no Serviço Social que transcenda a insuficiência do marxismo clássico desidratado, propondo uma "rebelião" teórica fundamentada na amefricanidade. Conclui-se que a descolonização do saber não é apenas um exercício acadêmico, mas também um imperativo ético-político para que a profissão consiga, efetivamente, responder às demandas de uma classe trabalhadora que, no Brasil, possui cor e gênero definidos.