INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, CRENÇAS SOBRE VIOLÊNCIA CONJUGAL E QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA POR PARCEIRO ÍNTIMO
Violência contra a mulher; Violência por parceiro íntimo; Inteligência emocional; Qualidade de vida; Crenças conjugais; Análise de mediação.
A violência por parceiro íntimo (VPI) é um grave problema de saúde pública, associado a prejuízos na saúde mental, no funcionamento psicossocial e na qualidade de vida das mulheres. Este estudo investigou as relações entre crenças sobre violência conjugal, inteligência emocional percebida e qualidade de vida, bem como as diferenças nessas variáveis entre mulheres com e sem histórico de VPI. Participaram da pesquisa 241 mulheres adultas, predominantemente com ensino superior completo ou incompleto, das quais 143 (59%) apresentaram histórico de violência por parceiro íntimo, enquanto 98 (41%) não relataram ter vivenciado esse tipo de violência. Os resultados indicaram diferenças significativas entre os grupos nas variáveis de inteligência emocional e qualidade de vida. Especificamente, mulheres que sofreram violência apresentaram escores significativamente inferiores nas competências de percepção das emoções, regulação de emoções de baixa potência e regulação de emoções de alta potência. Além disso, o grupo das vítimas apresentou níveis significativamente mais baixos em todos os domínios de qualidade de vida avaliados (físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente), com tamanhos de efeito moderados. Em contraste, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nas crenças sobre violência conjugal, sugerindo baixa concordância com crenças legitimadoras da violência em ambas as amostras. Conclui-se que a violência por parceiro íntimo está associada a prejuízos na qualidade de vida e em competências de inteligência emocional, especialmente na percepção e regulação das emoções. Os resultados indicam a importância de intervenções psicológicas voltadas ao fortalecimento da regulação emocional.