RELAÇÃO ENTRE REGULAÇÃO EMOCIONAL, COPING E QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS AMPUTADAS E NÃO AMPUTADAS
Amputação; Enfrentamento; Inteligência Emocional; Qualidade de vida; Regulação emocional.
A vivência de eventos traumáticos mobiliza no indivíduo diferentes estratégias cognitivas e comportamentais voltadas à regulação do estresse e à adaptação às novas condições impostas pela situação adversa. Entre esses eventos, a amputação destaca-se por representar uma experiência de elevada mobilização psicológica, que exige não apenas adaptações físicas, mas também importantes processos de ajustamento emocional e social. No Brasil, o número de procedimentos de amputação tem apresentado crescimento ao longo dos anos, o que reforça a importância de investigar os fatores psicológicos associados ao enfrentamento dessa condição. Nesse contexto, habilidades relacionadas à inteligência emocional, as estratégias de coping utilizadas pelo indivíduo e sua percepção de qualidade de vida configuram variáveis relevantes para compreender como as pessoas lidam com as consequências físicas e psicossociais da amputação. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar as relações entre coping, qualidade de vida e inteligência emocional em pessoas amputadas e não amputadas. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa, cuja amostra foi composta por 95 participantes, a partir de uma coleta de dados realizada de forma online por meio de divulgação em redes sociais. Os instrumentos utilizados foram um questionário sociodemográfico, o Inventário de Competências Emocionais Revisado (ICE-R), a escala Brief-COPE e o WHOQOL-Bref. Para examinar as relações entre os construtos, foi empregada análise de redes com estimador EBICglasso e hiperparâmetro de 0,5. Os resultados indicaram diferenças na organização das redes entre os grupos. Enquanto a rede do grupo de não amputados apresentou uma estrutura mais centrada na regulação de emoções de baixa potência e na estratégia de coping relacionada ao planejamento, a rede do grupo de amputados revelou maior interdependência entre as variáveis, com maior participação da dimensão interpessoal da regulação emocional e de estratégias de ressignificação do evento adverso. Os achados contribuem para a compreensão das relações entre esses construtos em contextos de saúde e podem subsidiar a elaboração de estratégias de apoio psicológico a pessoas que enfrentam situações de adoecimento e reabilitação.