Banca de DEFESA: RITA DE KASSIA TORRES NÓBREGA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RITA DE KASSIA TORRES NÓBREGA
DATA : 27/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: google meet
TÍTULO:

QUANDO ME VI NEGRA – autoria e autorreconhecimento da negritude nas trajetórias de vida de idosas em Recife


PALAVRAS-CHAVES:

Envelhecimento; mulheres negras; autorreconhecimento; criatividade autobiográfica; psicologia cultural; interseccionalidade.


PÁGINAS: 222
RESUMO:

O envelhecimento da população tem se ampliado significativamente, demandando análise que transcenda dados estatísticos e considere sua dimensão multidimensional, articulando fatores individuais e sociais, determinantes de saúde, variações socioeconômicas e culturais, bem como experiências territoriais distintas (Camarano, 2022). Este estudo teve como objetivo geral investigar a dinâmica criativa atuante no processo de construção de significados sobre a própria negritude durante as trajetórias de vida de participantes que se reconhecem como idosas negras. Os objetivos específicos incluíram: a) identificar a dinâmica da perspectivação criativa na construção dos significados sobre a própria negritude ao longo dos Grupos Focais e entrevistas individuais semiestruturadas; b) analisar os relatos autobiográficos, identificando como os significados sobre a própria negritude emergem e participam da construção das trajetórias de vida das participantes; c) analisar como a dinâmica entre cultura coletiva e cultura pessoal engendra processos de construção de significados únicos sobre ser mulher negra. Foi percorrida uma trajetória teórico conceitual ancorada na Psicologia Cultural de Dinâmica Semiótica (PCDS) (Valsiner, 2012), e no entendimento dos processos criativos numa perspectiva cultural e dialógica (Glaveanu, 2015), considerando processos criativos e a criatividade autobiográfica como atividade social capaz de transformar o self e gerar novos signos na relação Eu–Outro (Glaveanu, 2015; Simão, 2004; 2016). Em articulação com a gerontologia social crítica (Teixeira, 2021; Paiva, 2018), com o conceito de interseccionalidade (Akotirene, 2019). O estudo adotou desenho qualitativo, idiográfico e interpretativista, com abordagem dialógica, em que a pesquisadora construiu aproximação fenomenológica junto às participantes. Seis idosas participaram, selecionadas com base em critérios de inclusão: idade igual ou superior a 60 anos, consentimento livre e reconhecimento enquanto mulher negra. Foram estabelecidos critérios de exclusão relacionados à dependência familiar e condições de saúde que pudessem comprometer memória ou cognição. A coleta de dados ocorreu em três etapas: observação etnográfica (Mattos, 2011), Grupos Focais e entrevistas individuais semiestruturadas, complementados por diário de campo e ficha sociodemográfica. A análise interpretativa foi orientada pelo dialogismo bakhtiniano (Bakhtin, 2010), estruturada em quatro eixos interpretativos: (1) Outridades Dialógicas; (2) Senso de Autoria; (3) Temporalidade; (4) Dinâmica entre Cultura Pessoal e Cultura Coletiva. Os resultados indicam que os grupos funcionaram como espaços de emergência, acolhimento e ressonância, favorecendo a inscrição simbólica das experiências narradas. As narrativas articulam memórias individuais e coletivas, reduzindo a separação entre experiência pessoal e coletiva, e evidenciam trajetórias não lineares, com sobreposições, rupturas e antecipações de papéis sociais, como trabalho precoce e responsabilização familiar, tensionando modelos normativos de desenvolvimento. Concluímos que o autorreconhecimento da negritude nas participantes envolve processos de desidentificação, ou seja, movimentos de ruptura frente a identificações impostas, chamados aqui de identidades-desidentificadoras, que enfrentam barreiras históricas, sociais e simbólicas, caracterizada pela recusa em submeter-se a lugares sociais investidos pelo outro. A criatividade autobiográfica emerge como prática de gerência entre perspectivas, permitindo a produção de novos significados sobre si, apropriação do self e construção de autoria pessoal. Observa-se que, no encontro com signos relacionados à racialidade, as idosas experienciam desidentificação tanto por meio de experiências inquietantes quanto por vivências de brutalização do laço social, demonstrando a ação agentiva e persistente na construção de sentidos sobre si mesmas em contextos de desigualdade estrutural. Este estudo evidencia que a análise das trajetórias de vida de idosas negras contribui para a compreensão do envelhecimento como processo singular e multidimensional, articulando memória, criatividade e autorreconhecimento, e reforça a importância de abordagens que reconheçam a agência das mulheres negras na construção de suas histórias de vida.

 


MEMBROS DA BANCA:
Externo ao Programa - 2364054 - ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA - nullExterno ao Programa - 2283143 - JORGE LUIZ CARDOSO LYRA DA FONSECA - nullExterna à Instituição - LIA DA ROCHA LORDELO - UFRB
Externa à Instituição - ROBERTA DE SOUSA MELO - UNIVASF
Externo ao Programa - 3494791 - SIDCLAY BEZERRA DE SOUZA - null
Notícia cadastrada em: 27/02/2026 13:09
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