Banca de DEFESA: JAYNE CRISLENY PEREIRA DA SILVA SANTOS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JAYNE CRISLENY PEREIRA DA SILVA SANTOS
DATA : 25/09/2026
HORA: 08:30
LOCAL: auditório DOCEAN
TÍTULO:

MICROPLÁSTICOS E ECOTOXICIDADE EM SEDIMENTOS RICOS EM MATÉRIA
ORGÂNICA EM DOIS ESTUÁRIOS NO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO

 


PALAVRAS-CHAVES:

POLUIÇÃO MARINHA

SEDIMENTO

MANGUEZAL

MICROPLÁSTICOS

DIGESTÃO MATÉRIA ORGÂNICA

TOXICIDADE AMBIENTAL


PÁGINAS: 120
RESUMO:

Os ecossistemas estuarinos e de manguezal são berçários vitais da biodiversidade costeira, mas enfrentam uma ameaça silenciosa e crescente: a poluição por microplásticos (MPs), que transforma os sedimentos em ambientes potencialmente tóxicos para a comunidade bentônica. Devido à capacidade desses polímeros de adsorver contaminantes e transferi-los para a teia trófica, compreender sua dinâmica é urgente para a conservação da vida marinha. Este estudo avaliou a contaminação por microplásticos, a toxicidade e os riscos ecológicos associados em sedimentos de dois complexos estuarinos submetidos a diferentes pressões antrópicas (Rio Formoso e Ilhetas-Mamucabas), ambos localizados em Áreas Marinhas Protegidas no litoral sul de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Num primeiro capítulo, os microplásticos foram analisados quanto ao tipo, tamanho e composição polimérica por meio de espectroscopia FTIR. O estuário do Rio Formoso apresentou as maiores abundâncias (até 800 itens·kg⁻¹), associadas à baixa cobertura de saneamento (40,2%). Foram identificadas assinaturas de poluição distintas, com predominância de fibras (100–200 μm) em áreas influenciadas pela pesca e esgoto (R1) e de fragmentos em regiões influenciadas por resíduos agrícolas (R2). A avaliação de risco revelou uma divergência notável: apesar do baixo Índice de Carga de Poluição (PLI), o Índice de Risco Polimérico (H) foi classificado como de "Risco Muito Alto" em locais com presença de PVC e PU, indicando que a abundância pode mascarar o risco químico real. Em contrapartida, o complexo Ilhetas-Mamucabas apresentou menor contaminação e predominância de MPs maiores (>200 μm). O acúmulo de MPs apresentou correlação positiva com o teor de lama nos sedimentos. No segundo capítulo, como a extração de MPs em sedimentos estuarinos com elevado teor de matéria orgânica constitui um desafio analítico substancial, foram avaliados os desempenhos de duas soluções de digestão: o peróxido de hidrogênio (H₂O₂ a 30%) e uma solução mista de hidróxido de potássio com hipoclorito de sódio (KOH+NaClO). O objetivo foi comparar as soluções de digestão quanto ao tempo de processamento, à abundância de microplásticos e à preservação da identidade polimérica validada via FTIR. Os resultados revelaram que o tratamento com H₂O₂ proporcionou maior preservação da identidade estrutural das partículas e a detecção de uma maior diversidade de classes poliméricas, embora com o custo de um tempo de processamento laboratorial mais longo e variável, exigindo até sete dias de acompanhamento. Em contrapartida, o tratamento com KOH+NaClO destacou-se pela redução do tempo de processamento e maior abundância de partículas extraídas, garantindo uma digestão eficaz da matriz em um tempo fixo de 48 horas, porém resultando em uma menor diversidade de classes químicas identificadas. Concluii-se que a escolha do tratamento de digestão deve estar estritamente alinhada aos propósitos da investigação. O uso da solução KOH+NaClO apresenta-se como a melhor alternativa para triagens rápidas com foco em abundância geral, enquanto o H₂O₂ consolida-se como o tratamento padrão para caracterizações químicas refinadas e diagnósticos precisos da diversidade polimérica. No terceiro capítulo, investigou-se a abundância, a tipologia polimérica dos MPs e a ecotoxicidade de sedimentos. Amostragens em 8 pontos de sedimentos superficiais foram realizadas nos períodos chuvoso (agosto/2022) e seco (fevereiro/2023), contemplando diferentes fontes de pressão antrópica. As partículas foram caracterizadas quimicamente e os sedimentos foram submetidos a bioensaios com náuplios do copépode bentônico Tisbe biminiensis. A concentração de microplásticos variou significativamente entre os pontos de amostragem e os períodos avaliados, evidenciando também uma interação significativa entre os fatores espacial e sazonal. De forma geral, o período chuvoso apresentou maiores abundâncias em comparação ao período seco e o ponto R1 registrou a maior concentração, provavelmente em função do efluente de tratamento de esgoto na área. Predominaram fibras azuis e polímeros de polietileno oxidado (PEO), polipropileno (PP) e copolímero (CO). Os bioensaios evidenciaram toxicidades letal e subletal significativas em todos os pontos, sendo o Complexo Mamucabas e Ilhetas o mais tóxico apesar da menor abundância de MPs. No Complexo do Rio Formoso, observou-se uma relação positiva entre MPs e o efeito subletal, sugerindo que parte deste efeito pode estar associada aos plásticos presentes no sedimento. A avaliação revelou uma assimetria no risco químico: enquanto a abundância foi maior nas chuvas, o Índice de Risco Ecológico Potencial (PERI) atingiu níveis extremos (20.000) no período seco, impulsionado pela retenção de polímeros de altíssima periculosidade. Conclui-se que mesmo as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) estão altamente vulneráveis à dinâmica espaço-temporal de microplásticos. Dessa forma, evidencia-se a necessidade premente de integrar avaliações de risco químico e toxicológico em programas de monitoramento contínuo, fornecendo subsídios práticos para o aprimoramento de políticas públicas voltadas à conservação costeira.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1778982 - GILVAN TAKESHI YOGUI
Interno - 1355829 - JOSE SOUTO ROSA FILHO
Interna - 1200149 - LILIA PEREIRA DE SOUZA SANTOS
Externa à Instituição - CRISTIANE MARIA VARELA DE ARAUJO - UFRPE
Externo à Instituição - FAUSTHON FRED DA SILVA - UFPB
Notícia cadastrada em: 14/09/2026 15:33
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