Banca de DEFESA: BEATRIZ FERNANDES DE BARROS BOMFIM SANTANA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: BEATRIZ FERNANDES DE BARROS BOMFIM SANTANA
DATA : 31/08/2026
HORA: 09:00
LOCAL: online
TÍTULO:

Do passado ao presente: A trajetória de um recife de coral da costa nordeste do Brasil


PALAVRAS-CHAVES:

Ecologia histórica, Recife biogênico, Monitoramento de longo prazo, Linhas de base para a conservação, Atlântico Sul.


PÁGINAS: 120
RESUMO:

O atual cenário de intensas pressões ambientais e de crise climática impõe o desafio de compreender o funcionamento de ecossistemas altamente relevantes, como os recifes de corais em um contexto de rápidas e profundas transformações ecológicas. Nesse sentido, a premissa de conhecer o passado de um ambiente para inferir possíveis cenários futuros, pode ser uma ferramenta aliada à conservação. Abordagens interdisciplinares têm, portanto, sido incorporadas por cientistas e gestores, ainda que gradualmente, aos esforços conservacionistas, com o objetivo de construir uma visão abrangente de como espécies e ecossistemas responderam a períodos de crise no passado para prever cenários futuros. Temáticas como a ecologia histórica, aliadas à paleoceanografia, contribuem para a reconstrução desses cenários pretéritos. O uso de dados de monitoramento de longo prazo constitui também uma ferramenta essencial para o entendimento das trajetórias ecológicas desses sistemas, por meio da definição do referencial de um ambiente saudável (seu estado de equilíbrio, antes de passar por alterações significativas) para uma avaliação mais precisa do seu status de conservação atual. Nesse contexto, a presente tese teve como objetivo descrever, sob uma perspectiva histórica e interdisciplinar, as transformações ecossistêmicas ocorridas nos recifes de Tamandaré (PE), uma área de grande relevância para o Atlântico Sul, inserida em um mosaico de Unidades de Conservação no Nordeste do Brasil, além de possuir um histórico de impactos que teve início no período da colonização portuguesa e hoje passa por pressões antrópicas como o crescimento urbano desordenado e a especulação imobiliária. Especificamente, identificamos os organismos responsáveis pela formação desses ambientes e avaliamos como a comunidade bentônica respondeu a eventos de mudanças climáticas nos últimos 10 anos, incluindo episódios de branqueamento, bem como o estado atual desse ecossistema após a ocorrência desses distúrbios. Por fim, discutimos também a convergência entre as metodologias aplicadas durante o monitoramento recifal. Para isso, foram empregadas duas abordagens metodológicas: a descrição de um testemunho coletado em um recife de Tamandaré, incluindo a descrição da sua evolução recifal, e a análise de dados de monitoramento da comunidade presente na cobertura recifal durante os últimos dez anos, obtidos a partir de três metodologias de amostragem. A análise do testemunho revelou uma estrutura recifal biogênica, com idades calibradas entre 4.153 e 1.818 anos AP, cuja composição, dominada por algas coralíneas incrustantes, corais, moluscos e vermetídeos, se manteve estável ao longo do Holoceno tardio, ainda que com variações na abundância desses componentes. Foi possível também inferir a trajetória evolutiva desse recife conforme o nível do mar declinava. Já o monitoramento dos últimos dez anos documentou um declínio de cobertura de coral superior a 80%, associado a sucessivos eventos de branqueamento, com homogeneização da comunidade em torno de espécies mais resistentes ao estresse térmico e perda de táxons insubstituíveis em termos de papel funcional, como Millepora alcicornis e Millepora braziliensis. A partir da construção dessa linha do tempo, busca-se evidenciar a magnitude das transformações ocorridas, aprofundar a compreensão do funcionamento desse ecossistema e identificar os táxons fundamentais para sua manutenção. A análise histórica do ambiente fornece subsídios para a inferência de cenários futuros e constitui uma base conceitual e metodológica para o desenvolvimento de estratégias voltadas à mitigação e ao manejo de ecossistemas em um momento de transformação ambiental em curso.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 1171022 - BEATRICE PADOVANI FERREIRA
Externo à Instituição - GUILHERME ORTIGARA LONGO
Interno - 1728428 - ROBERTO LIMA BARCELLOS
Externo à Instituição - RODRIGO LEAO DE MOURA - UFRJ
Externo à Instituição - ZELINDA MARGARIDA DE ANDRADE NERY LEAO - UFBA
Notícia cadastrada em: 21/08/2026 09:32
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