INTERAÇÕES FÍSICAS E QUÍMICAS QUE CONTROLAM A BIOMASSA DO FITOPLÂNCTON NO ESTUÁRIO DE BARRA DE SANTO ANTÔNIO - APA COSTA DOS CORAIS-AL-BRASIL
APA Costa dos Corais. Estuário tropical. Nutrientes inorgânicos. Biomassa fitoplanctônica. Estado trófico. Índice TRIX.
Determinar os gradientes estuarinos e a estrutura fitoplanctônica do complexo estuarino-recifal da Barra de Santo Antônio (AL), inserido na APA Costa dos Corais (APACC). A dinâmica do sistema foi influenciada principalmente pelo ciclo pluviométrico, que, em 2024, registrou um volume acumulado acima da média histórica, sendo a principal forçante das flutuações hidrológicas. Observou-se um gradiente salino positivo, com os maiores valores na zona costeira durante o período de estiagem. A disponibilidade de oxigênio dissolvido no estuário superior foi deficitária, indicando maior demanda devido ao consumo biológico e baixa taxa de renovação pelas águas salinas mais oxigenadas. Os parâmetros físicos e químicos apresentam uma variação sazonal mais acentuada e, no período chuvoso, observou-se um aumento da turbidez, o que limitou a produção fitoplanctônica. Também foi registrado um aumento do material particulado em suspensão (MPS), que atingiu a média de 67,55 ± 24,95 mg L-1, o que reduziu a biomassa fitoplanctônica total (3,06 ± 3,63 mg m-3), apesar da maior disponibilidade de nutrientes, como nitrogênio e fósforo. Em contraste, no período de estiagem, quando a luz e a temperatura aumentam, favorecendo o desenvolvimento do fitoplâncton e o aumento da clorofila, coincidindo com concentrações elevadas de silicato (28,87 ± 23,65 μmol L-1). O nitrogênio foi identificado como o nutriente limitante do sistema, com 91% das amostras apresentando razões N:P inferiores à razão de Redfield esperada. O Índice de Estado Trófico (TRIX) classificou o estuário superior entre mesotrófico a eutrófico (5,33), enquanto as áreas recifais, S4 e S5, apresentaram os estados mesotrófico (4,13) e oligotrófico (3,70), respectivamente. A comunidade fitoplanctônica apresentou elevada riqueza, com 275 táxons, e dominância das diatomáceas (72% da composição). A estrutura da assembleia exibiu um zoneamento espacial sustentado por espécies indicadoras, como a diatomácea Coscinodiscus centralis que dominou o setor interno, associada ao aporte continental, enquanto a zona recifal foi caracterizada por espécies marinhas como Proboscia alata e uma maior diversidade de dinoflagelados. Conclui-se que a pluma estuarina atua como um vetor vital de exportação de nutrientes para os recifes adjacentes, o que indica que a produtividade dessa zona costeira depende diretamente dos materiais provenientes do Rio Santo Antônio. Essa conectividade reforça a vulnerabilidade do sistema às alterações hidrológicas e às pressões antrópicas, tornando essencial o monitoramento sistemático para a conservação desta importante unidade de preservação marinha.