EFEITOS DA MOTIVAÇÃO VERBAL E PRIVAÇÃO VISUAL DA CARGA NO TESTE DE 1RM EM INDIVÍDUOS TREINADOS.
Aptidão física; Treinamento resistido; Treinamento de força; Força muscular; 1RM; Musculação
A força muscular é uma capacidade física essencial para o desempenho esportivo, a funcionalidade e a saúde, sendo frequentemente avaliada pelo teste de uma repetição máxima (1RM). Fatores psicofisiológicos, como a motivação verbal e a privação visual da carga, podem influenciar a manifestação da força máxima. O objetivo deste estudo foi verificar o efeito da motivação verbal (MV) e da privação visual da carga (PV) sobre a performance no teste de 1RM em indivíduos com experiência em treinamento com pesos. Trata-se de um estudo experimental, transversal e parcialmente cego, realizado com 48 indivíduos treinados (26 homens e 22 mulheres), distribuídos randomicamente entre os grupos de privação visual (n = 24) e motivação verbal (n = 24). Os participantes realizaram testes de 1RM no supino reto e no leg press 45°, nas condições controle (sem estímulo) e experimental (com a intervenção correspondente). Para análise dos efeitos dos estímulos, foi utilizada ANCOVA fatorial, com a carga de 1RM da condição controle como covariável, sexo e tipo de estímulo como fatores fixos, e idade e IMC como covariáveis secundárias. O tamanho do efeito foi estimado pelo ômega quadrado (ω²), e a resposta individual foi analisada pelos critérios de Erro Típico de Medida (ETM) e Mudança Mínima Importante (SWC). Os resultados demonstraram forte influência da força basal sobre o desempenho final no supino reto e no leg press 45° (p < 0,001). Não foram observados efeitos significativos da MV ou PV sobre a força máxima em nível grupal, nem diferenças entre os sexos (p > 0,05). Entretanto, houve interação significativa entre tipo de estímulo e sexo no supino reto (p = 0,018). Observou-se elevada variabilidade interindividual, com respostas favoráveis às intervenções em alguns participantes, especialmente pelo critério da SWC. Conclui-se que MV e PV não promoveram melhora significativa da força máxima em nível grupal, mas podem apresentar relevância prática para indivíduos específicos, reforçando a importância da individualização na avaliação e prescrição do treinamento resistido.