ESTUDO SOBRE A INFLUÊNCIA DOS FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS NOS ÓBITOS POR ANEMIA FALCIFORME NO BRASIL
Doença falciforme. Anemia falciforme. Fatores sociodemográficos. Óbitos. Análise multivariada.
Introdução: a anemia falciforme constitui uma hemoglobinopatia hereditária monogênica de elevada
relevância para a saúde pública, especialmente em países marcados por desigualdades sociais e
raciais, como o Brasil. Caracteriza-se pela produção de hemoglobina S, que promove alterações
morfológicas nas hemácias, favorecendo episódios vaso-oclusivos, infecções, complicações
sistêmicas e aumento da mortalidade. Objetivo: Analisar a influência dos fatores sociodemográficos
no risco de óbitos precoces em adultos jovens com anemia falciforme no Brasil. Método: trata-se de
um estudo retrospectivo, observacional, de abordagem quantitativa, baseado em dados secundários
do Sistema de Informações sobre Mortalidade, referentes ao período de 2019 a 2023. Após a aplicação
dos critérios de filtragem, a amostra foi composta por 1.886 óbitos, analisados segundo sexo, raça/cor,
escolaridade, estado civil e região de residência. Foram empregadas estatísticas descritivas, teste do
qui quadrado e modelo logit multinomial para estimar associações entre os fatores sociodemográficos
e a faixa etária do óbito. Resultados: os resultados evidenciaram predominância de óbitos entre
homens, pessoas pardas e pretas, indivíduos solteiros, com oito a 11 anos de escolaridade e residentes,
principalmente, nas Regiões Sudeste e Nordeste. Observou-se associação estatisticamente
significativa entre os fatores sociodemográficos e a idade ao óbito, destacando-se o efeito protetor da
maior escolaridade e a influência das desigualdades raciais, territoriais e conjugais sobre a ocorrência
de mortes precoces. Conclusão: conclui-se que os determinantes sociodemográficos exercem papel
decisivo na mortalidade por anemia falciforme, indicando a necessidade de políticas públicas
intersetoriais e equitativas voltadas à redução das iniquidades em saúde e à ampliação do cuidado
integral às pessoas acometidas pela doença.