DESENVOLVIMENTO DE COMPOSTOS INDOL-TIAZOL COMO CANDIDATOS PROMISSORES PARA O TRATAMENTO DO TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR: Síntese, Caracterização e Avaliação in silico e in vitro
indol-tiazol; depressão; síntese orgânica; docking molecular; farmacocinética; neuroplasticidade.
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma das principais causas de incapacidade no mundo e continua sendo um importante desafio terapêutico devido à limitada eficácia dos antidepressivos atualmente disponíveis. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo desenvolver e avaliar uma nova série de derivados indol-tiazol, obtidos por hibridização molecular e inspirados estruturalmente na lisurida, visando à identificação de novos candidatos com potencial antidepressivo. Para isso, foram realizadas a síntese, caracterização estrutural, predições in silico e avaliações biológicas in vitro. Nove derivados da série LPSF/PP foram sintetizados e caracterizados por HPLC, espectrometria de massas, espectroscopia no infravermelho e RMN de 1H e 13C. As análises in silico demonstraram propriedades farmacocinéticas favoráveis, com elevada absorção intestinal, permeabilidade à barreira hematoencefálica, baixa toxicidade predita e interações estáveis com o receptor serotoninérgico 5-HT₂A, além de afinidade por outros alvos relacionados à neurobiologia da depressão. Nos ensaios in vitro em células SH-SY5Y, os derivados apresentaram baixa citotoxicidade nas concentrações de 1–25 µM, reduziram o estresse oxidativo e promoveram a ativação de mecanismos associados à neuroplasticidade. A análise por RT-qPCR revelou modulação significativa da expressão de genes relacionados à neurotransmissão serotoninérgica e à plasticidade neuronal (HTR2A, HTR1A, Gq, β-arrestina, BDNF, c-FOS, NTRK2, GRM5, GluN2B e DRD2), enquanto a imunocitoquímica demonstrou aumento da expressão de pCREB, especialmente para os derivados PP4, PP6, PP9 e PP14, em comparação aos controles positivos DOI e lisurida. Entre os compostos avaliados, o PP14 apresentou o conjunto mais consistente de resultados, reunindo elevada possivel afinidade predita pelo receptor 5-HT₂A, modulação de genes associados à neurotransmissão serotoninérgica e maior ativação da via pCREB. Em conjunto, os resultados demonstram que a hibridização dos núcleos indólico e tiazólico constitui uma estratégia promissora para o desenvolvimento de novos candidatos a fármacos para o tratamento do TDM.