PLANEJAMENTO, SÍNTESE E AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES IMUNOMODULADORA E ANTIPLASMODIAL DE NOVOS DERIVADOS TIAZOQUINOLÍNICOS E IMIDAZONAFTALÊNICOS
tiazoquinolínico; imidazonaftalênico; antimalárico; imunomodulador.
Introdução: A malária é uma doença causada pelo protozoário do gênero
Plasmodium. Em 2024, a OMS estimou 282 milhões de casos no mundo, sendo
o Brasil o segundo país com maior número de casos (~118.000) na América.
Dentre as espécies que infectam o homem, o P. falciparum e P. vivax são as mais
preocupantes. O protozoário, no hospedeiro humano, destrói células hepáticas
e hemácias, ao mesmo tempo que ativa o sistema imune inato, a partir de células
de defesa que o detecta e desencadeiam a secreção de citocinas como: IFN-γ,
TNF-α, IL-6, IL-10, IL-17A, responsáveis por amplificar essa resposta imune,
reduzindo a carga parasitária. A intervenção medicamentosa (cloroquina,
atovaquone, derivados de artemisinina) tem, ao longo do tempo, diminuído sua
atuação em decorrência do desenvolvimento de mecanismos de resistência pelo
Plasmodium. Objetivo: Nesse contexto, foram planejadas novas moléculas
híbridas: LPSF/ZKD, com núcleos quinolínico e tiazolidina-2,4-diona,
responsáveis por atividades antiplasmodial e imunomoduladora, presente na
literatura, com intuito de obtermos melhor desempenho, menos efeitos colaterais
e atuantes na via das citocinas e ciclo de vida do plasmódio. Etapas da
pesquisa e resultados: 1. Estudo in sílico: Dessas moléculas, realizou-se um
estudo in sílico em seis alvos do P. falciparum, nos programas AutoDock-Vina e
AutoDock-GPU. A partir desse, definiu-se as moléculas para síntese, das quais
seus resultados de score de energia (ΔG) variaram entre -12 a -9kcal/mol e -15
a -12kcal/mol, respectivamente. 2. Síntese: Espelhada nessas moléculas, outra
série de moléculas hibridas: LPSF/ZKI (com núcleos naftalênico e imidazolidina-
2,4-diona) foi planejada e sintetizada. Sintetizaram-se 6 moléculas
intermediárias, três de cada série LPSF/GQs e LPSF/JMs, obtidas com
rendimento entre 37- 97% e 6 moléculas finais, três de cada série LPSF/ZKDs e
LPSF/ZKIs, com rendimento entre 22-75%. 3. Atividade imunomoduladora:
As moléculas LPSF/ZKD-28 e LPSF/ZKI2A foram avaliadas quanto a sua
citotoxicidade, apresentando viabilidade celular acima de 95% na cultura de
PBMCs de voluntários saudáveis, nas concentrações de 50μM e 100μM. A
atividade imunomoduladora foi analisada pela quantificação das citocinas
secretadas na cultura de PBMCs de voluntários saudáveis na presença das
moléculas. A molécula LPSF/ZKD-28 a 100μM reduziu significativamente (p ˂
0,05) a expressão de IL-17A em relação ao estímulo (CD3/CD28) e promoveu
redução na concentração do INF-γ. Enquanto a LPSF/ZKI-2A reduziu a IL-10 e
aumentou o TNF-α, cenário interessante para início da malária, defendido por
alguns autores. 4. Atividade antiplasmodial: Os compostos LPSF/ZKI-2A e
LPSF/ZKD-28 não apresentaram toxicidade, nas concentrações abaixo de
100μM, no Anopheles aquasalis. Ambos, desencadeiam hemólise sanguínea a
partir de 200μM, definindo suas concentrações de 50μM e 100μM para os testes
no mosquito, as mesmas utilizadas para o teste in vitro de imunomodulação. A
molécula LPSF/ZKI-2A a 100μM apresentou um resultado promissor, com
significativo valor de redução do número de oocistos (0,01 >p˂ 0,05) em relação
ao controle sem tratamento para atividade antiplasmodial, no estudo in vivo na
fase sexual do plasmódio, que ocorre no Anopheles. Observamos a redução da
taxa de infecção (% no de fêmeas com oocisto) de 58,9% contra 94% do grupo
controle não tratado. Essas séries de moléculas híbridas, são inéditas, fazendo
desses resultados um screening inicial e obtidas com resultados promissores.