ESTUDO SOBRE A INFLUÊNCIA DOS FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS NOS ÓBITOS POR ANEMIA FALCIFORME NO BRASIL
Doença falciforme. Anemia falciforme. Fatores sociodemográficos. Óbitos. Análise multivariada.
Introdução: Anemia falciforme constitui uma hemoglobinopatia hereditária monogênica de elevada relevância para a saúde pública, especialmente em países marcados por desigualdades sociais e raciais, como o Brasil. Caracteriza-se pela produção de hemoglobina S, que promove alterações morfológicas nas hemácias, favorecendo episódios vaso-oclusivos, infecções, complicações sistêmicas e aumento da mortalidade. Objetivo: Analisar a influência dos fatores sociodemográficos no risco de óbitos precoces em adultos jovens com anemia falciforme no Brasil. Método: Trata-se de um estudo retrospectivo, do tipo painel, com delineamento observacional, enfoque epidemiológico e abordagem quantitativa. O estudo foi realizado com base em dados secundários obtidos do DATASUS-SIM. Partiu-se de um conjunto inicial de 2.525 microdados, contendo 114 variáveis das Declaração de óbitos de todas as Unidades Federativas , referentes aos anos de 2019 a 2023. Ao final foram incluídos óbitos, resultando em 1.886 casos elegíveis, caracterizados segundo sexo, raça/cor, escolaridade, estado civil e região de residência. As associações entre variáveis sociodemográficas e a idade aos óbitos constituíram (0–19, 20–29, 30–39, 40–59 e ≥60 anos).Aplicada estatísticas descritivas, teste do qui-quadrado e modelo logit multinomial para estimar associações entre os fatores sociodemográficos e a faixa etária do óbito, utilizando de 20–29 anos como categoria de referência. Resultados: Evidenciaram predominância de óbitos entre homens (945) casos, pessoas pardas (1029),pretas (552), indivíduos solteiros (1.419), com 8 a 11 anos de escolaridade (854) e residentes, principalmente, nas Regiões Sudeste (837) e Nordeste (634). Observaram-se associações significativas entre características sociodemográficas e a idade ao morrer (p < 0,001). Maior escolaridade apresentou efeito protetor contra os óbitos. Enquanto a disparidades raciais, regionais e de estado civil associaram-se a óbitos mais precoces. Conclusão: Determinantes sociodemográficos influenciam substancialmente aos óbitos por anemia falciforme no Brasil. A concentração de óbitos entre populações socialmente vulneráveis e adultos jovens evidência a necessidade de políticas públicas orientadas pela equidade e de estratégias de assistência integral à saúde para reduzir óbitos evitáveis e enfrentar desigualdades estruturais persistentes.