TEMPOS DE RESPOSTA NO TRATAMENTO DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO COM SUPRADESNIVELAMENTO DO SEGMENTO ST (IAMCSST): ANÁLISE DE SERVIÇO, PROPOSTAS DE POLÍTICAS PÚBLICAS E REGIONALIZAÇÃO
Infarto agudo do miocárdio; Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST; Tempo total de isquemia; Tempo porta-balão; Intervenção coronária percutânea; Políticas públicas de saúde
O Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST
(IAMCSST) é uma emergência cardiovascular tempo-dependente. Objetivou-se
analisar os tempos de resposta no tratamento do IAMCSST, suas associações
com o tempo de internação e os desfechos hospitalares descritos, bem como
formular recomendações para políticas públicas e organização regional da
assistência. Foi realizada revisão sistemática conforme o PRISMA, com buscas
em PubMed, Scopus, ScienceDirect e BVS no período de 2014 a 2024; 253
registros foram identificados e nove estudos foram incluídos. A investigação
consistiu em um estudo de mundo real, retrospectivo, realizado em um hospital
terciário de referência em cardiologia, com 730 adultos, diagnosticados com
IAMCSST, submetidos à intervenção coronariana percutânea primária (ICPP).
Predominaram homens (65,8%) e pessoas com 60 anos ou mais (52,9%);
hipertensão arterial sistêmica (70,7%) e diabetes mellitus (33,0%) foram
frequentes. A mediana do tempo total de isquemia foi de 570 minutos (Intervalo
Interquartil - IIQ: 390 – 1.380 minutos), a do intervalo entre o início dos
sintomas e o primeiro contato médico foi de 420 minutos (IIQ: 240–720) e a do
tempo porta-balãofoi de 120 minutos (IIQ: 90–335). A mortalidade hospitalar foi
de 7,0%, a trombose de stent ocorreu em 1,5% e a intubação em 4,7%.
Observou-se associação estatisticamente significativa entre o aumento dos
tempos de isquemia e a piora do prognóstico: pacientes com maiores tempos
de isquemia total (p=0,008) e maiores tempos porta-balão (p=0,022)
apresentaram longos períodos de internação hospitalar (>10 dias).
Considerando os tempos prolongados de resposta observados, tanto aqueles
atribuíveis ao comportamento do paciente quanto os relacionados à
organização do sistema de saúde, torna-se necessária a implementação de
políticas públicas estruturantes. Essas estratégias devem contemplar ações de
educação em saúde, protocolos integrados, medidas voltadas à promoção de
hábitos de vida saudáveis, ampliação da integração tecnológica e do uso da
telemedicina/tele-ECG, regionalização dos serviços de hemodinâmica, bem
como, a padronização dos fluxos assistenciais. Adicionalmente, propõe-se que
os tempos de isquemia sejam incorporados como indicadores estratégicos de
desempenho e qualidade da assistência no âmbito do Sistema Único de Saúde
(SUS), com monitoramento sistemático para subsidiar a gestão e a melhoria
contínua dos serviços.