AVALIAÇÃO DE BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS POTENCIALMENTE ASSOCIADOS À PRESENÇA DO VÍRUS DE RNA DE LEISHMANIA EM PACIENTES COM LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA
Doenças tropicais negligenciadas; Leishmaniose tegumentar americana; Leishmania (Viannia) braziliensis; Totiviridae; Leishmaniavirus; Inflamação.
Em algumas espécies de Leishmania, parasita causador da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA),
o vírus de RNA de Leishmania (LRV) é capaz de modular a capacidade adaptativa e imunológica desse
parasita no hospedeiro. Dito isto, neste trabalho, foi testada a hipótese de que inflamações mais graves
em pacientes possam estar associados a coinfecção com o vírus em pacientes com LTA em áreas endêmicas
de Pernambuco. Sendo assim, os pacientes deste estudo foram avaliados quanto à presença ou não do
vírus e alguns marcadores de resposta inflamatória, como IFN-, TNF-α, IL-6, IL-17A e miR-155, por
qPCR. Foram considerados grupos de pacientes com lesão ativa (AT) e pós tratamento (PT). Não foi
observada a presença do LRV nos pacientes com LTA do nosso estudo, bem como não houve expressão de
TNF-α e IL-17A, entretanto, os grupos AT e PT tiveram expressão significativa do miR-155 comparados
ao controle (CT). Enquanto isso, o marcador IL-6 apresentou um aumento de expressão no grupo PT em
relação ao CT, assim como o IFN- também foi visto aumentado em AT. Em paralelo, grupos de
camundongos foram infectados com cepas não portadoras (LRV-) e portadoras do vírus (LRV+), de L.
braziliensis e L. guyanensis, para mensurar marcadores moleculares de citocinas inflamatórias, como IL-
12p35, IL-1β, TNF-α, IFN- e NOS2/iNOS. Para ambas as cepas e espécies de Leishmania, IL-12p35
apresentou uma redução da expressão em comparação ao CT, enquanto apenas L. guyanensis LRV- exibiu
uma expressão maior, em relação ao CT. Para NOS2, ambas as cepas de L. guyanensis apresentaram
aumento de expressão, enquanto para L. braziliensis, houve aumento e diminuição para as cepas LRV+ e
LRV-, respectivamente. Olhando para TNF-α, ambas cepas e espécies apresentaram um aumento em
relação ao CT. Comparando de forma intra-espécie (cepa LRV+ vs. LRV-), para L. braziliensis, foi
observada maior expressão de IL-1β na cepa com vírus, em contrapartida, houve redução em L.
guyanensis LRV+. No mesmo contexto de comparação, a citocina IFN foi menos expressa na análise com
L. guyanensis LRV+ vs. LRV-. Em relação ao desenvolvimento da lesão, observando a infecção por ambas
as cepas L. braziliensis LRV+ e LRV-, houve diferença significativamente maior na área da lesão a partir
da 8a semana em relação ao controle, enquanto nas 10a e 11a semanas, L. braziliensis LRV- foi
significativamente maior em relação a L. braziliensis LRV+. Portanto, se observou que o MIR155 tem
relevância importante na evolução da doença, tendo vista que está presente e aumentado em ambos os
estados da doença em pacientes com histórico de LTA, de lesão ativa e pós-tratamento. Além disso, a
presença do LRV parece acompanhar a tendência natural na geração de resposta imunológica no
hospedeiro, a depender da espécie associada, de modo a atenuar respostas agressivas ao parasita e que,
assim, parece contribuir para preservação do parasita. Dito isto, estudos acerca da LTA deveriam
considerar mais a presença desse vírus para melhor diagnóstico e direcionamento de conduta médica,
visto seu impacto na resposta do hospedeiro ao agente causador da doença.