custos diretos médicos, reembolso e qualidade de vida em pacientes com colangiocarcinoma submetidos à drenagem biliar percutânea trans-hepática
custos médicos
Este estudo teve como objetivo estimar os custos diretos médicos associados ao manejo hospitalar do colangiocarcinoma (CCA), sob a perspectiva hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS), com ênfase na drenagem biliar percutânea trans-hepática (DBPT). De forma complementar, foram analisados desfechos de qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) e sobrevida, esta mensurada desde o diagnóstico do CCA e após a realização da DBPT. Trata-se de estudo observacional, longitudinal, de base hospitalar, caracterizado como avaliação econômica parcial do tipo análise descritiva de custos, com componentes retrospectivo e prospectivo, conduzido com 49 pacientes diagnosticados com CCA. A análise econômica do manejo hospitalar do CCA constituiu o eixo central da investigação, contemplando a estimativa dos custos diretos médicos sob a perspectiva hospitalar do SUS e a descrição das receitas de reembolso registradas nas Autorizações de Internação Hospitalar (AIH). Os custos diretos médicos foram estimados por componente assistencial durante os episódios de internação, com base em registros clínicos e administrativos institucionais e nos valores da Tabela do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP). O custo real da DBPT foi calculado de forma individualizada por meio do método de custeio por absorção. De forma complementar, a QVRS foi avaliada prospectivamente por meio dos instrumentos EuroQol EQ-5D-3L, Escala Visual Analógica (EVA) e European Organization for Research and Treatment of Cancer (EORTC) QLQ-BIL21. A sobrevida foi estimada pelo método de Kaplan–Meier, considerando dois marcos temporais: a partir do diagnóstico do CCA e após a realização da DBPT. Os resultados evidenciaram elevada utilização de recursos hospitalares, com internações prolongadas e recorrentes (1 a 6 por paciente; média 2,74) e tempo médio de permanência de 34,4 dias, configurando a permanência hospitalar como principal determinante dos custos diretos médicos. O custo por internamento variou de R$ 319,37 a R$ 2.409,41, com custo médio de R$ 573,13 por paciente. Observou-se expressiva discrepância entre o custo real da DBPT e o valor de reembolso do SUS, uma vez que o procedimento está agregado à AIH, com déficit médio de R$ 3.464,46 por DBPT, resultando em desequilíbrio econômico institucional. A DBPT promoveu alívio de sintomas obstrutivos agudos, especialmente da icterícia, sem impacto sustentado nos domínios funcionais, emocionais e psicossociais da QVRS. A sobrevida global a partir do diagnóstico do CCA apresentou média de 202,5 dias, com taxa estimada de 53,1% aos 60 dias e 8,3% aos 365 dias, evidenciando declínio progressivo ao longo do tempo. Considerando a sobrevida após a realização da DBPT (período de 180 dias), a média foi de 74,3 dias, com redução para 50,0% aos 38 dias e 25,0% aos 113 dias, mantendo-se nesse patamar até o final do acompanhamento, quando cinco pacientes permaneciam vivos. Conclui-se que, o CCA apresenta elevada dependência de internações e permanência hospitalar prolongadas como principais determinantes dos custos. A DBPT, embora fundamental para o alívio de sintomas obstrutivos agudos, apresentou custo real significativamente superior ao valor reembolsado e benefícios clínicos limitados no longo prazo, sem impacto sustentado na QVRS e com sobrevida reduzida. Esses achados reforçam a necessidade de revisão dos modelos de financiamento e de maior integração com cuidados paliativos no manejo do colangiocarcinoma avançado.