Banca de DEFESA: RODRIGO VINÍCIUS LUZ DA SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RODRIGO VINÍCIUS LUZ DA SILVA
DATA : 27/02/2026
HORA: 13:30
LOCAL: Sala da Congregação do Departamento de Ciências Farmacêuticas da UFPE
TÍTULO:

LEVANTAMENTO ETNOBOTÂNICO PARTICIPATIVO ENTRE OS MORADORES DA COMUNIDADE QUILOMBOLA CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS (SALGUEIRO-PE): UM FOCO NAS PLANTAS MEDICINAIS


PALAVRAS-CHAVES:

Etnobotânica; etnomedicina; medicina tradicional; população negra; quilombos.


PÁGINAS: 202
RESUMO:

O Brasil foi um dos principais protagonistas, durante o regime português, do tráfico negreiro de
africanos, esses que foram submetidos ao processo de escravização. Como forma de se rebelar
contra esse sistema, parte significativa dos escravizados deram vida a fugas e formação de
grupos que culminaram na criação dos quilombos, comunidades que, mesmo após a assinatura da
Lei Áurea, resistiram até a atualidade. Como um tipo de população tradicional brasileira, os
quilombolas são conhecidos por serem guardiões de uma série de conhecimentos, o que inclui
saberes ancestrais sobre o uso de plantas medicinais. Esse é o caso da histórica Comunidade
Quilombola Conceição das Crioulas, localizada no município de Salgueiro, Pernambuco, e que
preserva uma relação especial com as plantas presentes em seu território. Dessa forma, o
objetivo da presente pesquisa foi o de investigar a relação da comunidade quilombola Conceição
das Crioulas (Salgueiro – PE) com as plantas medicinais através de um estudo etnobotânico
participativo. Para tal, a pesquisa recebeu carta de anuência da liderança da comunidade e
aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFPE. As viagens à comunidade ocorreram entre
os meses de janeiro e dezembro de 2025, onde foram realizadas entrevistas semi-estruturadas
com dez moradores da comunidade autodeclarados como quilombolas e reconhecidos como
detentoras do conhecimento sobre o uso de plantas medicinais. Como resultados, 104
etnoespécies diferentes foram citadas durante as entrevistas, com Fabaceae sendo a família com
maior representação e a aroeira (Myracrodruon urundeuva Allemão) a espécie mais citada, assim
como a que demonstrou maior versatilidade e importância relativa. A categoria de uso com mais
citações foi referente a problemas envolvendo o sistema respiratório, com as plantas sendo
preparadas para o uso terapêutico principalmente a partir das suas folhas e na forma de chá.
Quanto às percepções sobre o uso de plantas medicinais na comunidade, a maioria dos
entrevistados relatou que: utilizam esses recursos terapêuticos para uso próprio e de terceiros;
que receberam seus conhecimentos principalmente através de familiares e que também os
repassam para seus descendentes; que acreditam que o poder de cura das plantas vem da fé, da
crença e da relação com a natureza; que as plantas medicinais são de grande importância para a
comunidade devido a questões como afirmação da identidade, preservação da história do
território e diante da precariedade dos serviços públicos de saúde e que os conhecimentos sobre
as plantas medicinais em seu território corre risco devido ao desmatamento, desuso,
esquecimento e apropriação. A partir desses resultados foi possível evidenciar a riqueza
centenária de conhecimentos tradicionais da comunidade, com importâncias culturais,
ambientais, econômicas e na saúde. Também se observou a necessidade do fortalecimento da
transmissão desses saberes para novas gerações diante dos desafios envolvendo a preservação e
uso das espécies dentro do território. Por fim, a pesquisa participativa reforçou o papel da
comunidade na construção do estudo e apontou caminhos a serem seguidos no futuro envolvendo
novas pesquisas, ações educativas e conservação ambiental.

 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2283500 - KARINA PERRELLI RANDAU
Externa ao Programa - 2680269 - MARINA MARIA BARBOSA DE OLIVEIRA - UFPEExterna ao Programa - 3160839 - ROSELY TAVARES DE SOUZA - UFPE
Notícia cadastrada em: 23/02/2026 09:12
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