FRAÇÃO PROTEICA DE Moringa oleifera: POTENCIAL ANTITUMORAL EM MODELO DE CÂNCER DE MAMA TRIPLO NEGATIVO
Produtos naturais. Proteínas bioativas. Citotoxicidade. Modelo murino.
O câncer de mama triplo negativo (TNBC) constitui um dos subtipos mais agressivos da doença, caracterizado pela ausência de receptores hormonais e de HER2 (Human Epidermal growth factor Receptor-type 2), elevada taxa de recorrência e opções terapêuticas limitadas, o que reforça a necessidade de novas estratégias de tratamento mais eficazes e seguras. Nesse contexto, compostos bioativos de origem vegetal têm sido amplamente investigados como alternativas ou adjuvantes às terapias convencionais. A presente dissertação teve como objetivo avaliar a atividade antitumoral da fração proteica das sementes de Moringa oleifera (fpMo) em modelo murino de câncer de mama triplo negativo, bem como investigar seu perfil de segurança biológica e toxicológica. A abordagem metodológica incluiu ensaios in vitro utilizando a linhagem murina 4T1 para avaliação de citotoxicidade (MTS), migração celular e clonogenicidade. A segurança biológica foi analisada por meio do ensaio de mutagenicidade em Allium cepa, teste de hemólise e ensaio de toxicidade oral aguda segundo o Guia 423 da OECD. A atividade antitumoral in vivo foi avaliada em modelo ortotópico de carcinoma mamário 4T1 em camundongos BALB/c, com monitoramento do crescimento tumoral, parâmetros clínicos que incluem Piloereção, Tremores, Respiração anormal e Curvatura do tronco, consumo alimentar, peso corporal e pesos relativos de órgãos, sendo a cisplatina utilizada como controle positivo. Os resultados demonstraram que a fpMo apresentou elevada atividade citotóxica in vitro, com redução dose e tempo-dependente da viabilidade celular, inibição significativa da migração celular e supressão quase completa da capacidade clonogênica, evidenciando forte potencial antiproliferativo e antimigratório. Nos ensaios de segurança, a fpMo não apresentou efeito mutagênico, exibiu baixa atividade hemolítica e demonstrou perfil de toxicidade oral aguda compatível com categoria 4 da OECD, além de boa tolerabilidade sistêmica em doses moderadas. Entretanto, no modelo in vivo de tumor sólido ortotópico, a fpMo administrada na dose de 50 mg/kg não promoveu inibição tumoral significativa nem redução sustentada da progressão tumoral, embora tenha apresentado melhor perfil de tolerabilidade clínica quando comparada à cisplatina. Em conjunto, os achados indicam que a fpMo possui elevado potencial antitumoral intrínseco em modelos in vitro e perfil de segurança favorável in vivo, porém sua eficácia terapêutica frente a tumores sólidos agressivos depende de ajustes experimentais relacionados à dose, regime de administração e estratégias que aumentem sua biodisponibilidade.