FOTOBIOMODULAÇÃO PROFILÁTICA E QUALIDADE DE VIDA: AVALIAÇÃO DA MUCOSITE ORAL E DA NUTRIÇÃO ENTERAL EM PACIENTES ONCOLÓGICOS: ESTUDO DE COORTE PROSPECTIVO
Câncer de Cabeça e Pescoço; Mucosite oral; Fotobiomodulação; Custo-efetividade; Qualidade de vida.
Este estudo teve como objetivo monitorar os efeitos da fotobiomodulação (FBM) profilática em pacientes com câncer de cabeça e pescoço (CCP) submetidos à radioterapia (RT), isolada ou associada à quimioterapia (QT), analisando o desenvolvimento de mucosite oral (MO), a necessidade de nutrição enteral, a intensidade da dor e o impacto na qualidade de vida (QV). Trata-se de um estudo de coorte prospectivo, conduzido no Departamento de Odontologia do Hospital de Câncer de Pernambuco, Brasil, entre maio e dezembro de 2025. Foram incluídos pacientes ≥18 anos, diagnosticados com carcinoma de células escamosas (CCE) localizado na cavidade oral ou orofaringe, com indicação de RT convencional (>50 Gy), associada ou não à QT. A FBM profilática foi aplicada três vezes por semana com laser diodo (660 nm). A MO foi classificada segundo critérios da OMS, a dor foi avaliada pela Escala Visual Analógica (EVA) e a QV foi mensurada pelo questionário UW-QOL. Foram avaliados 68 pacientes submetidos ao protocolo de FBM. Todos desenvolveram MO, com gravidade significativamente associada à modalidade terapêutica, sendo superior nos casos de associação com quimioterapia (p < 0,001). Observou-se redução progressiva da dor ao longo do seguimento. A via oral líquida/pastosa predominou na amostra, contudo, a necessidade de nutrição enteral ocorreu em 22,1% dos participantes, verificada exclusivamente naqueles sob regime de quimiorradioterapia (p = 0,028). Na QV, houve melhora significativa no domínio dor e declínio no paladar. A localização do tumor atuou como preditor funcional, com maior prejuízo na mastigação para cavidade oral (p=0,038) e na deglutição para orofaringe (p=0,014). A FBM profilática associou-se a uma evolução clínica favorável na coorte avaliada, caracterizada pelo manejo eficaz da dor mesmo diante de graus elevados de MO decorrentes da associação da RT com a QT. Os achados reforçam o papel da FBM na preservação da via oral e na estabilidade da QV, consolidando-a como estratégia essencial de suporte no tratamento oncológico.