Avaliação de dois cenários terapeuticos na periodontia através de imagens por termografia e por oct
Termografia Infravermelha, Tomografia de Coerência Óptica, Terapia Fotodinâmica, Hipersensibilidade da Dentina
O estudo explora a aplicação de duas modalidades de imagem não ionizante em odontologia, a Tomografia por Coerência Óptica (OCT), para avaliar a penetração do dessensibilizante Gluma em dentina, e a termografia infravermelha, para monitorar alterações térmicas gengivais durante terapia periodontal associada à terapia fotodinâmica antimicrobiana (PDT). No primeiro estudo, de natureza laboratorial ex vivo, o pesquisador tratou 10 pré-molares humanos hígidos com Gluma em forma de verniz acrescido de nanobastões de ouro (AuNRs) como agente de contraste óptico, avaliou a penetração por OCT e a confirmou por Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e espectroscopia EDS. No segundo estudo, uma série de casos submeteu 5 pacientes com Periodontite Generalizada Estágio III Grau C a raspagem e alisamento radicular (RAR) associados à PDT (azul de metileno 0,05% e laser de diodo 660 nm, 9 J por ponto), adquirindo imagens térmicas (câmera FLIR i5) em três momentos (inicial, pós-RAR e pós-PDT) e analisando-as de forma não paramétrica (teste de Friedman exato). À inspeção visual, a OCT não permitiu identificar a penetração do verniz e revelou apenas alterações de superfície e material residual não absorvido; a análise de intensidade mostrou tendência de crescimento do sinal ao longo do tempo em parte das amostras, compatível com acúmulo superficial progressivo do material. A MEV evidenciou recobrimento superficial com oclusão tubular apenas parcial e reprodutível entre as amostras (≈64–67% dos túbulos abertos), e o EDS não detectou ouro em quantidade distinguível de zero. A termografia detectou alterações térmicas gengivais estatisticamente significativas ao longo do protocolo (p = 0,0085), com queda do ∆T após a RAR (de 11,13 °C para 7,97 °C; redução de 23–32% por região de interesse) e recuperação parcial após a PDT (10,36 °C; aumento de 27–45%), sem retorno ao valor basal, em padrão consistente entre os pacientes. Nas condições ex vivo e na janela de 25 minutos, o verniz formou depósito predominantemente superficial, sem penetração tubular profunda nem acúmulo detectável do agente de contraste, o que aponta a necessidade de otimizar o contraste óptico e a análise quantitativa do sinal. A termografia infravermelha mostrou-se capaz de detectar, de forma objetiva e não invasiva, variações térmicas associadas à regressão inflamatória durante a terapia periodontal com PDT, ainda que em caráter exploratório dado o tamanho amostral reduzido. Em conjunto, os dois estudos reforçam o potencial das técnicas de imagem não ionizantes, OCT e termografia, como ferramentas complementares para a caracterização de materiais e o monitoramento clínico em periodontia e dentística.