Banca de DEFESA: BEATRIZ BORBA BARROS BERNARDO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: BEATRIZ BORBA BARROS BERNARDO
DATA : 05/03/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Google Meet
TÍTULO:

MANEJO DA MICROSTOMIA EM PACIENTES COM ESCLEROSE SISTÊMICA: ESTUDO PILOTO E REVISÃO DE ESCOPO


PALAVRAS-CHAVES:

microstomia; escleroderma sistêmico; terapia a laser

 


PÁGINAS: 97
RESUMO:

A esclerose sistêmica é uma doença rara e autoimune, caracterizada por produção excessiva de fibrose tecidual, capaz de gerar múltiplas manifestações sistêmicas. Entre elas, destaca-se a microstomia, definida como a redução da abertura bucal, que pode comprometer fala, alimentação e higiene oral, além de ocasionar impacto estético e funcional para o paciente. O objetivo desta pesquisa foi investigar o manejo da microstomia em pacientes com diagnóstico de esclerose sistêmica por meio de um estudo piloto e de uma revisão de escopo. A revisão de escopo seguiu as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR). A busca eletrônica foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Embase, Web of Science e Scopus, além da literatura cinzenta. No total, 45 artigos foram incluídos, sendo 12 ensaios clínicos randomizados, 20 estudos clínicos não randomizados ou de braço único, um estudo observacional e 11 relatos de caso. Dentre eles, 33 avaliaram estratégias não cirúrgicas e apenas 12 investigaram intervenções cirúrgicas. As estratégias não cirúrgicas foram relatadas com maior frequência no geral, sendo os exercícios e a fisioterapia as abordagens não cirúrgicas mais extensivamente investigadas, enquanto o enxerto de gordura autóloga foi a técnica cirúrgica mais estudada. Observou-se considerável heterogeneidade em relação aos protocolos de intervenção, medidas de desfecho e períodos de acompanhamento. Nenhum protocolo de tratamento padronizado ou universalmente aceito foi identificado. O estudo piloto consistiu em um braço único, cujo propósito foi avaliar os efeitos preliminares de um protocolo cirúrgico com laser de diodo de alta potência no tratamento da limitação de abertura bucal. O estudo foi realizado com sete participantes atendidos no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, todos com abertura bucal menor ou igual a 37 mm. Foram coletados dados demográficos e clínicos, incluindo idade, sexo, subtipo da doença, uso de medicações e tempo de diagnóstico. Os pacientes foram submetidos ao procedimento cirúrgico sob anestesia local, que consistiu inicialmente em uma incisão transversal bem superficial com lâmina de bisturi no centro da área fibrótica, seguida pelo aprofundamento da incisão com laser de diodo infravermelho (Thera Lase Surgery®, DMC, São Carlos, Brasil), utilizando comprimento de onda de 930 nm, frequência de 20 pps, largura de pulso de 25 ms e potência de 2 W. Os pacientes foram avaliados nos dias 7 (D0) e 28 (D28) de pós-operatório, com avaliação da escala numérica da dor, reparo clínico tecidual e medida da distância interincisal, além da utilização dos questionários Oral Health Impact Profile-14 (OHIP-14) e Mouth Handicap in Systemic Sclerosis (MHISS). A distância interincisal média foi de 30,7 ± 3,1 mm no pré-operatório (D0), 28,9 ± 1,9 mm em D7 e 32,2 ± 2,0 mm em D28. A análise por ANOVA com repetição não demonstrou diferença estatisticamente significativa entre os tempos avaliados (p = 0,429). Os escores do OHIP-14 apresentaram média de 14,3 ± 12,4 no D0 e 7,5 ± 7,1 no D28, sem diferença estatisticamente significativa (p = 0,225). Por outro lado, o MHISS reduziu de 28,4 ± 9,3 no D0 para 15,8 ± 6,5 no D28, com diferença estatisticamente significativa (p = 0,044). Ambos os questionários foram avaliados pelo teste t pareado. Não foi observada correlação significativa entre a abertura bucal e os escores do OHIP-14 (p = 0,171) ou MHISS (p = 0,141), segundo a correlação de Pearson. Também não foram identificadas associações significativas entre abertura bucal e subtipo de esclerose sistêmica (teste t de Student; p = 0,171) ou tempo de diagnóstico (ANOVA; p = 0,460). O procedimento mostrou-se bem tolerado, com morbidade pós-operatória limitada e manejável, indicando viabilidade para estudos futuros. A revisão de escopo mostrou predominância de abordagens não cirúrgicas, especialmente exercícios e fisioterapia, mas sem consenso sobre a melhor estratégia terapêutica, evidenciando a necessidade de estudos mais robustos. O estudo piloto, por sua vez, explorou uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva ainda pouco investigada. Em conjunto, os achados sugerem que o manejo da microstomia na esclerose sistêmica deve ser individualizado e que abordagens minimamente invasivas podem integrar estratégias terapêuticas combinadas.


MEMBROS DA BANCA:
Externa ao Programa - 3445538 - ANDREA TAVARES DANTAS - nullPresidente - 1773722 - ARNALDO DE FRANCA CALDAS JUNIOR
Externa ao Programa - 3446914 - MARIA EDUARDA PEREZ DE OLIVEIRA - null
Notícia cadastrada em: 25/02/2026 13:57
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