EFEITOS DA REALIMENTAÇÃO ORAL PRECOCE NOS DESFECHOS CLÍNICOS NUTRICIONAIS NO CONTEXTO DA RECUPERAÇÃO ACELERADA APÓS CIRURGIA: UM ENSAIO CONTROLADO RANDOMIZADO
Recuperação Pós-Cirúrgica Melhorada; Cirurgia Colorretal; Assistência Perioperatória; Dieta.
A realimentação oral precoce (ROP) é essencial nos protocolos de recuperação acelerada pós-operatória, pois minimiza os efeitos adversos do jejum prolongado. Este ensaio clínico randomizado comparou o efeito da ROP com o jejum pós-operatório convencional (RC) na evolução clínico-nutricional de pacientes de ambos os sexos, idade ≥20 anos, submetidos a cirurgia colorretal eletiva. O grupo ROP iniciou a alimentação em até 24 horas após cirurgia, enquanto o grupo RC iniciou somente após o retorno dos ruídos hidroaéreos. Dados demográficos, socioeconômicos, clínicos e parâmetros nutricionais foram coletados. A ROP não alterou o tempo para atingir as necessidades nutricionais e de internação em comparação à RC. A avaliação nutricional pelo critério GLIM indicou 49,3% de desnutrição no baseline, sem diferenças significativas entre os grupos (baseline vs 30 dias). Observou-se correlação negativa da circunferência de panturrilha (CP) com idade (Spearman = -0,340; p<0,05) e tempo de internação (Spearman = -0,345; p<0,05), e positiva com massa magra (Spearman = 0,730; p<0,01). Após 30 dias, não foram observadas diferenças antropométricas entre os grupos e a Análise de Impedância Bioelétrica (BIA) mostrou redução da reatância (Xc) em ambos os grupos, sendo a resistência média menor no grupo ROP. A Análise Vetorial de Impedância Bioelétrica (BIVA) evidenciou melhora nos parâmetros elétricos no grupo ROP no 30º DPO. Conclui-se que, ROP não influenciou variáveis clínicas, porém teve efeito sobre a composição nutricional avaliada através da BIA e BIVA.