INFLUÊNCIA DOS FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS, COMPORTAMENTAIS E DO ESTADO NUTRICIONAL NA PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO EM ADULTOS – VIGITEL (2020-2023)
Depressão, Vigilância em Saúde pública, Sistema de Vigilância em Saúde.
A depressão afeta cerca de 4% da população mundial e, no Brasil, apresentou aumento de 36,7% entre 1990 e 2017. Apesar disso, ainda são escassos estudos nacionais que analisem, de forma retrospectiva, a prevalência da doença após 2020 associada a fatores socioeconômicos, comportamentais e nutricionais. Este estudo teve como objetivo analisar a tendência temporal da depressão segundo estado nutricional, variáveis sociodemográficas e comportamentais em adultos residentes nas capitais brasileiras, utilizando dados do Vigitel referentes aos anos de 2020, 2021 e 2023. Trata-se de um estudo transversal, com análise descritiva e ponderação amostral, envolvendo 75.860 participantes. Foram aplicados o teste qui-quadrado de Pearson e regressão logística binária, estimando odds ratios brutas e ajustadas por sexo, idade e escolaridade, adotando-se significância de 5%. Os resultados demonstraram aumento da prevalência de depressão autorreferida, passando de 10,64% em 2020 para 11,33% em 2021 e 12,33% em 2023. As maiores prevalências ocorreram entre mulheres, idosos, divorciados, viúvos, indivíduos com maior escolaridade e pessoas fisicamente inativas. Observou-se ainda associação entre obesidade e consumo de alimentos ultraprocessados com maior probabilidade de depressão, enquanto o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados apresentou efeito protetor. Os achados evidenciam a necessidade de intervenções integradas em saúde pública, voltadas à promoção da alimentação saudável, incentivo à prática de atividade física e fortalecimento das ações de prevenção, vigilância e cuidado em saúde mental.