EFEITO DOS FLORAIS DE BACH NO ESTRESSE DE ADOLESCENTES ESCOLARES À LUZ DE
BETTY NEUMAN: UM ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
Adolescentes escolares; Essências Florais; Estresse Psicológico; Teorias de Enfermagem; Betty Neuman.
O estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da terapia floral de Bach sobre o estresse em adolescentes do ensino médio integrado, fundamentando-se na Teoria dos Modelos de Sistemas de Betty Neuman. A pesquisa seguiu um ensaio clínico randomizado, controlado e duplo-cego (ECRR), estruturado em seis etapas. Inicialmente, 388 estudantes foram avaliados pela Escala de Estresse Percebido (PSS-14), dos quais 128 apresentaram escores indicativos de estresse elevado (≥ 38 na PSS-14). Desses, 44 aceitaram participar da segunda etapa e foram distribuídos aleatoriamente entre o grupo intervenção (terapia floral de Bach) e o grupo placebo. Entre a segunda e a sexta etapa, os participantes passaram por cinco consultas de enfermagem, com prescrição e entrega dos florais, além do monitoramento por meio das escalas PSS-14 e LSS. A regressão linear inicial revelou que fatores como estar nos últimos anos do ensino médio (β = 2,28; 2,81), pertencer ao grupo de menor renda (β = 3,45), ser do sexo feminino (β = 3,21) e enfrentar deslocamentos diários longos (β = 2,58; 3,11; 5,77) foram preditores de maior estresse percebido. Por outro lado, estar no 1o ano (β = -0,878), ter maior renda (β = -5,99), ser do sexo masculino (β = -3,46) e ter deslocamento diário reduzido (β = -1,41) foram associados a menores níveis de estresse. Os resultados do ensaio clínico evidenciaram que o grupo intervenção apresentou redução significativa nos escores de estresse percebido. A média da PSS-14 caiu de 43,1 no primeiro momento para 25,6 no quinto, indicando uma transição de alto para baixo nível de estresse (p = 0,0001). O grupo placebo, por sua vez, teve apenas uma leve redução, de 42 para 38 pontos. Resultados semelhantes foram observados na LSS, onde o grupo intervenção reduziu de 147 para 77 pontos, enquanto o grupo placebo passou de 149 para 118 pontos, ambos saindo de um nível alto para intermediário de estresse. A estabilidade dos intervalos interquartis no grupo intervenção a partir do terceiro momento reforçou a eficácia da intervenção na redução da variabilidade dos escores. A análise estatística intergrupos revelou que não houve diferença significativa nos dois primeiros momentos (T1: p > 0,05; T2: p > 0,05), mas a partir do terceiro momento, o grupo intervenção apresentou diferenças estatisticamente significativas em relação ao grupo placebo (p < 0,05), tendência que se manteve até o final do estudo. O teste de efeito (d) indicou um impacto pequeno na primeira consulta (PSS-14: d = 0,14; LSS: d = 0,27), evoluindo para efeito moderado na segunda consulta e muito grande a partir da terceira (d > 0,86). Esses achados demonstram que a terapia floral de Bach teve um impacto significativo e progressivo na redução do estresse dos adolescentes, tornando-se estatisticamente eficaz a partir da segunda consulta na LSS e da terceira de acordo com a PSS-14.