INTERVENÇÃO EDUCATIVA SOBRE PARENTALIDADE POSITIVA: REPERCUSSÕES
NOS CONHECIMENTOS E PRÁTICAS DOS ENFERMEIROS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
poder familiar; promoção da saúde; saúde da criança; educação em saúde; enfermagem;
atenção primária à saúde.
A parentalidade é definida como interações, emoções, crenças, atitudes, práticas, conhecimentos e
comportamentos dos cuidadores associados à prestação de cuidados à criança. A parentalidade positiva,
por sua vez, envolve práticas de cuidado responsivas às necessidades das crianças, baseadas no afeto,
disciplina gentil e firme, cuidados não violentos, expressões afetivas centradas nas fases do seu
desenvolvimento. No entanto, a promoção destas práticas no contexto brasileiro é desafiada por
problemas como o estresse, a pobreza e outros aspectos que comprometem a responsividade dos
cuidadores. Torna-se relevante a atuação do enfermeiro da atenção primária na promoção da parentalidade
positiva. Contudo, observa-se ainda uma fragilidade na assistência de enfermagem frente à temática,
sendo oportunas as intervenções formativas voltadas para o fortalecimento dos conhecimentos e
habilidades desses profissionais. Este estudo teve como objetivo analisar as repercussões de uma
intervenção educativa sobre parentalidade positiva nos conhecimentos e práticas dos enfermeiros na
atenção primária. Trata-se de um estudo de intervenção, com abordagem qualitativa, baseado na pesquisa
participante e na ciência da implementação, desenvolvido em quatro etapas: identificação do grupo,
planejamento, implementação e avaliação. A intervenção educativa, estruturada no formato de curso, foi
realizada em uma das salas da Coordenação de Educação em Ciência, Tecnologia e Inovação
Extensionista da Universidade Federal de Pernambuco, nos meses de setembro e outubro de 2025, com a
participação de 12 enfermeiros de Unidades de Saúde da Família do município de Recife, Pernambuco.
Os dados coletados foram organizados e seguiu as etapas de codificação, categorização temática e
elaboração do relatório analítico. Utilizou-se a técnica de codificação linha por linha, com organização
manual em códigos descritivos, agrupamentos e definição de temas finais. A avaliação da intervenção
comtemplou as dimensões de alcance, efetividade e adoção da ciência da implementação. Os resultados
evidenciaram ampliação conceitual sobre parentalidade positiva e ressignificação das práticas
profissionais, especialmente no uso da caderneta da criança, na abordagem do desenvolvimento social e
emocional infantil e no fortalecimento do papel educativo junto às famílias. A técnica do photovoice
favoreceu reflexões críticas sobre a prática profissional e estimulou a incorporação de estratégias mais
sensíveis, dialógicas e contextualizadas. A avaliação da intervenção demonstrou alcance satisfatório,
elevada aceitação e efetividade percebida, com potencial de adoção no cotidiano. Os achados apontam
que intervenções educativas participativas, alinhadas à ciência da implementação, contribuem para reduzir
a lacuna entre conhecimento e prática, fortalecem competências profissionais e ampliam a capacidade dos
enfermeiros em promover a parentalidade positiva. Com isso, a intervenção educativa repercutiu
positivamente nos conhecimentos e práticas dos participantes, mostrando-se viável e relevante para o
fortalecimento do cuidado centrado na família, com potencial de replicabilidade em outros contextos da
Atenção Primária à Saúde.