Banca de QUALIFICAÇÃO: FRANCIELY NAYARA DO NASCIMENTO ALBUQUERQUE

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: FRANCIELY NAYARA DO NASCIMENTO ALBUQUERQUE
DATA : 16/07/2026
LOCAL: Entrega do Parecer do Relatório pela Banca Examinadora
TÍTULO:

IDENTIFICAÇÃO DE MARCADORES DE DIAGNOSE BOTÂNICA,HISTOQUÍMICA, FITOQUÍMICA E DOSEAMENTO DE CRISTAIS DE DUAS ESPÉCIES MEDICINAIS DO GÊNERO Oxalis L., AUXILIANDO NA PADRONIZAÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA VEGETAL


PALAVRAS-CHAVES:

Oxalis; caracterização morfoanatômica; histoquímica; controle de qualidade.


PÁGINAS: 65
RESUMO:

Introdução: O Brasil é reconhecido como o país com a maior diversidade de plantas do mundo (Tuler et al., 2019) e, além disso, a riqueza cultural de cada região leva a diferentes formas de utilização das plantas e historicamente, essa diversidade tem sido refletida na percepção sobre o uso das plantas, incluindo aquelas comestíveis e medicinais que possuem potenciais propriedades curativas (Rodrigues et al., 2020), como é o caso de espécies da família Oxalidaceae R. Br.

Oxalidaceae compreende 5 gêneros e cerca de 668 espécies (World Flora Online, 2025) e no Brasil, a família é representada pelos gêneros Averrhoa L., Biophytum DC. e Oxalis L., compreendendo 135 espécies (Flora e Funga do Brasil, 2025a). Oxalis é o gênero mais numeroso (Abreu; Fiaschi, 2015) e considerado cosmopolita e acredita-se que a América do Sul e do Norte e a África sejam os centros de sua dispersão e provavelmente de sua origem (Shamso et al., 2021). Além disso, destaca-se que Oxalis apresenta alta variação morfológica e plasticidade fenotípica (Xiaoping et al., 2021) caracterizando-se como um gênero taxonomicamente difícil (Shamso et al., 2021).

Essa alta variação morfológica e plasticidade do gênero podem dificultar a identificação botânica precisa e associada à falta de observações de campo leva a descrições incompletas que não contemplam as variações morfológicas podendo levar à identificação equivocada ou proliferação de nomes errôneos (Temponi et al., 2005). Ademais, pode ainda resultar em desafios na produção de medicamentos fitoterápicos certificados (Almeida et al., 2018), uma vez que as espécies de Oxalis são utilizadas na medicina popular, como por exemplo Oxalis cratensis Oliv. ex Hook. e Oxalis debilis Kunth utilizadas para diabetes, diarreia, doenças inflamatórias, dentre outras (Junejo et al., 2021).

É importante ressaltar frente a utilização medicinal que o uso de plantas é frequentemente mencionado na literatura como um complemento no tratamento do diabetes(Santos et al., 2012), como exemplo as espécies citadas. Contudo, o uso popular dessas plantas nem sempre ocorre de maneira adequada, especialmente em relação à qualidade da matéria-prima vegetal, o que pode representar sérios riscos à saúde e isso se deve ao fato de que as plantas medicinais são frequentemente compostas por misturas complexas de substâncias (Leal; Tellis, 2015). Desse modo, algumas espécies podem conter, por exemplo, cristais de oxalato de cálcio, que podem ser prejudiciais. Além disso, existem poucos estudos que investigam o teor de ácido oxálico nessas plantas, o que pode aumentar os riscos para indivíduos com função renal comprometida. Destaca-se que a absorção e a excreção de uma dieta rica em oxalatos são fatores relevantes no desenvolvimento de cálculos renais, o que pode agravar problemas de saúde em certos pacientes (Brandão Filho et al., 2023). Portanto, é fundamental que o uso de plantas medicinais seja realizado com cautela e sob orientação adequada.

Frente a essas problemáticas, características macroscópicas e microscópicas na taxonomia vegetal tem sido uma ferramenta útil para auxiliar na ordenação, visualização e compreensão dos dados biológicos, sendo um grande aliado na sua interpretação. Além disso, aumentar o conhecimento sobre os compostos químicos presentes em espécies vegetais, além de determinar o teor de ácido oxálico, auxiliam em estudos farmacológicos futuros.

Justificativa:Oxalis L., gênero mais numeroso da família Oxalidaceae R. Br. (Abreu; Fiaschi, 2015), apresenta alta variação morfológica e plasticidade fenotípica (XIAOPING et al., 2021), o que torna sua taxonomia desafiadora (Shamso et al., 2021). Além disso, pode impactar a produção de medicamentos fitoterápicos (Almeida et al., 2018), uma vez que apresenta espécies utilizadas na medicina popular para tratar diferentes condições, como por exemplo a diabetes (Junejo et al., 2021). Destaca-se ainda que o uso de plantas como um adjuvante no tratamento do diabetes nem sempre é realizado de maneira adequada e isso se deve à qualidade da matéria-prima vegetal, que pode representar riscos à saúde (Leal; Tellis, 2015), uma vez que além da identificação errônea podem conter cristais de oxalato de cálcio, que são potencialmente prejudiciais quando consumidos em excesso (Brandão Filho et al., 2023).

Diante dessas questões, a identificação de características macroscópicas e microscópicas na taxonomia vegetal tem se mostrado uma ferramenta útil para organizar e interpretar dados biológicos. A análise morfológica fornece subsídios taxonômicos consistentes para o delineamento de táxons, distinguindo muitas espécies anteriormente sinônimas (Luna; Gómez-Velasco, 2008), além de avaliar com mais cuidado quais características são fundamentais, ou essenciais para o reconhecimento do grupo (Newmasteretal, 2008). Através de ilustrações botânicas, pode-se ressaltar detalhes despercebidos, sendo possível aprofundar ainda mais os estudos de morfologia e anatomia vegetal (Boldt, 2019).

Além disso, a histoquímica, ao investigar a distribuição e a localização de substâncias químicas em tecidos vegetais, permite a identificação de compostos relevantes para a saúde humana, como flavonoides, terpenos e alcaloides que têm mostrado potencial em atividades antioxidantes, antidiabética, anti-inflamatórias e antimicrobianas, podendo ser utilizados como base para o desenvolvimento de novos fitoterápicos e cosméticos (Pérez-Jiménez et al., 2010). Por outro lado, a fitoquímica se concentra na análise dos compostos químicos tornando-se fundamental para a padronização de matérias-primas vegetais, especialmente em contextos de produção de medicamentos fitoterápicos, onde a consistência e a qualidade dos produtos são essenciais (Viegas Júnior et al., 2006).

Adicionalmente, o doseamento de ácido oxálico é uma prática significativa, considerando que esse composto pode ter efeitos adversos à saúde quando presente em altas concentrações. O ácido oxálico, frequentemente encontrado em plantas como Oxalis e outras espécies, pode se ligar ao cálcio, formando oxalato de cálcio, o que potencialmente contribui para a formação de cálculos renais em indivíduos predispostos (Brandão Filho et al., 2023). A quantificação do ácido oxálico é, portanto, essencial para avaliar a segurança do consumo dessas plantas, especialmente em contextos de medicina popular, onde o uso pode ser indiscriminado e sem supervisão adequada. Nesse contexto, o projeto se justifica como uma iniciativa necessária para promover a distinção das espécies de Oxalis e a caracterização de seus compostos químicos, contribuindo assim com dados que podem contribuir para a segurança e eficácia do uso dessas plantas na medicina popular e na indústria.

Objetivos: Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo geral identificar marcadores de diagnose botânica, histoquímica e fitoquímica, além de realizar o doseamento de cristais de oxalato e análise nutricional em O. cratensis e O. debilis, contribuindo para a padronização e caracterização dessas espécies medicinais. Para isso, serão realizadas análises macroscópicas por estereomicroscopia, caracterização microscópica por microscopia óptica de luz e polarização, além de microscopia eletrônica de varredura. Testes histoquímicos específicos permitirão a detecção de diferentes classes de metabólitos, enquanto a prospecção fitoquímica será conduzida por cromatografia em camada delgada. O doseamento de oxalato será realizado por titulação com permanganato de potássio, permitindo a quantificação do teor de oxalato total e solúvel nas lâminas foliares e a análise nutricional.

Espera-se, ao final do estudo, identificar caracteres diagnósticos confiáveis para distinção das espécies analisadas, contribuindo para a taxonomia do gênero Oxalis e para a correta identificação da matéria-prima vegetal utilizada na medicina popular. Além disso, a caracterização química e a quantificação de oxalatos poderão fornecer subsídios importantes para a avaliação da segurança do consumo dessas plantas. Os resultados também poderão apoiar futuras pesquisas farmacológicas e iniciativas de padronização de fitoterápicos, contribuindo para o uso racional e seguro das espécies vegetais.

Metodologia: O material foi coletado e as exsicatas depositadas no Herbário Dárdano de Andrade Lima para legitimação botânica recebendo os seguintes tombamentos 93940 (O. cratensis) e 93886 (O. debilis). A análise morfológica externa será realizada por estereomicroscopia. A terminologia utilizada será baseada na sugerida por Hickey (1973) e a nomenclatura descrita por Gonçalves e Lorenzi (2007). Para a caracterização microscópica, o material será fixado em FAA50 (formaldeído, ácido acético glacial e álcool etílico 50%, 1:1:18 v/v). As seções transversais dos órgãos vegetativos das espécies serão obtidas à mão livre utilizando lâminas de aço e como suporte a medula do embaúba (Cecropia sp.). Adicionalmente, serão confeccionadas secções paradérmicas das lâminas foliares. Todas as secções serão clarificadas em solução de hipoclorito de sódio (50%) e em seguida lavadas com água destilada. As secções transversais serão coradas com safranina e azul de Astra e as secções paradérmicas com azul de metileno (KRAUTER, 1985). Posteriormente serão montadas lâminas semipermanentes e analisadas em imagens processadas, obtidas por câmera digital acoplada a um microscópio de luz. As análises por Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) serão conduzidas no Centro de Apoio à Pesquisa (CENAPESQ) da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Secções paradérmicas serão fixadas, refrigeradas e submetidos à secagem. Posteriormente, as secções serão montadas em suportes metálicos, revestidos de ouro em um metalizador de corrente (DENTON VACCUM DESK V). As micrografias serão capturadas e analisadas. As ilustrações macroscópicas e microscópicas serão realizadas mediante fotografias. As ilustrações serão realizadas em microscópio acoplado a câmara clara e esteriomicroscópio. Testes histoquímicos serão realizados em secções transversais dos órgãos vegetativos frescos, obtidas pelo mesmo método utilizado na caracterização anatômica. Serão utilizados os seguintes reagentes: Dragendorff para alcaloides, vanilina clorídrica para taninos, Sudan III para compostos lipofílicos (Sass, 1951), tricloreto de antimônio para triterpenos e esteroides (Mace et al., 1974), ácido tânico(5%)/ cloreto férrico(3%) para mucilagens (Pizzolato; Lillie, 1973), xilidina Ponceau (0,1%) para proteínas (Vidal, 1970), dicromato de potássio (10%) para compostos fenólicos, solução de Lugol para amido, vermelho de rutênio (0,1%) para pectinas, floroglucinol para lignina e ácido clorídrico (10%) para verificar a natureza dos cristais (Johansen, 1940). Serão realizados controles em paralelo aos testes histoquímicos sem qualquer reagente. As análises serão realizadas em imagens processadas obtidas por câmera digital acoplada a um microscópio de luz. O perfil fitoquímico será realizado por Cromatografia em Camada Delgada (CCD), utilizando extratos metanólicos obtidos por meio de decocção. As análises serão conduzidas utilizando placas prontas de gel de sílica (Macherey-Nagel) como fase estacionária e diferentes fases móveis e reveladores, seguindo protocolo descrito por Randau et al. (2004). As lâminas foliares serão secas em estufa a 60°C por 48 horas e, em seguida, trituradas. Serão pesados 0,5 g do pó em erlenmeyers de 100 mL, adicionando 50 mL de ácido clorídrico 2 M (para oxalato total) ou água destilada (para oxalato solúvel). Os erlenmeyers serão aquecidos em banho-maria a 80°C por 30 minutos, filtrados e diluídos com 50 mL de água destilada. Serão coletadas alíquotas de 25 mL para titulações com solução de permanganato de potássio 0,02 M. Para acidificar os extratos com água destilada, serão utilizados 20 mL de ácido sulfúrico 2 M. As titulações, realizadas em triplicata a 50°C, irão até a viragem de incolor para róseo persistente por mais de 30 segundos. As concentrações de oxalato serão expressas em g/100 g de matéria seca.

Resultados esperados: Com o presente projeto espera-se observar marcadores de diagnose úteis para diferenciação das espécies, através das análises macroscópicas e microscópicas, fornecendo informações relevantes para taxonomia assim como para estudos botânicos e farmacológicos, além de auxiliar a população que faz uso das espécies como medicinais a identificá-las. Além disso, através da ilustração macroscópica espera-se ressaltar detalhes despercebidos, sendo possível aprofundar ainda mais os resultados observados no estudo.

Espera-se, por meio da histoquímica, identificar a localização de compostos bioativos em tecidos vegetais, revelando onde esses compostos são armazenados contribuindo para a compreensão de processos fisiológicos e metabólicos. Em relação aos estudos fitoquímicos espera-se a identificação de princípios ativos que podem ter aplicações farmacêuticas e nutracêuticas, além de proporcionar informações para a bioprospecção de recursos naturais. Com o doseamento de cristais espera-se revelar a quantidade de oxalato de cálcio por exemplo, que podem ser consumidos através da alimentação e o excesso de cristais, particularmente os oxalatos, está associado à formação de cálculos renais.

Com a análise da composição nutricional espera-se fornecer informações sobre o seu valor nutricional para alimentação humana através da determinação dos teores de macro e micronutrientes, identificar compostos bioativos e fatores antinutricionais. Espera-se ainda divulgar este trabalho apresentando os resultados em congressos nacionais e internacionais e publicar artigos científicos em jornais de alto fator de impacto.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - JANAINA CARLA BARBOSA MACHADO - UFPE
Externa à Instituição - RAFAELA DAMASCENO SA - UFF
Notícia cadastrada em: 30/06/2026 20:33
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação (STI-UFPE) - (81) 2126-7777 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa01.ufpe.br.sigaa01