AVALIAÇÃO MUSCULOESQUELÉTICA E SOMATOVISCERAL DE MULHERES COM DISMENORREIA PRIMÁRIA: ESTUDO CASO-CONTROLE
Palavras-chave: Dismenorreia; Manipulações Musculoesqueléticas;Fisioterapia; Coluna Vertebral; Avaliação Mecânica.
Introdução: A dismenorreia primária (DP) é uma dor pélvica cíclica sem causa orgânica identificável, altamente prevalente e associada a impacto funcional, absenteísmo e piora da qualidade de vida. Possui fisiopatologia multifatorial, envolvendo mecanismos inflamatórios, hormonais e neurofisiológicos, porém os componentes musculoesqueléticos e biomecânicos permanecem pouco esclarecidos. Evidências sugerem que alterações no alinhamento espinopélvico e na estabilidade lombo-pélvica podem contribuir para a manutenção e amplificação da dor menstrual, em interação com fenómenos de sensibilização periférica e central. Há, portanto, necessidade de caracterizar de forma integrada parâmetros biomecânicos, somatoviscerais e clínico-comportamentais ao longo do ciclo menstrual em mulheres com DP. Objetivo: Analisar parâmetros musculoesqueléticos e somatoviscerais em mulheres com DP, comparando-as a mulheres sem dismenorreia, ao longo de diferentes fases do ciclo menstrual, investigando associações entre variáveis musculoesqueléticas, fisiológicas, sintomatológicas e comportamentais. Metodologia: Estudo observacional, analítico, caso-controle, guiado pelas recomendações STROBE. Serão incluídas 80 mulheres em idade reprodutiva (40 com DP e 40 controles), avaliadas em três momentos do ciclo (fases folicular, ovulatória e lútea). Serão coletados dados de composição corporal (bioimpedância), termografia infravermelha, variabilidade da frequência cardíaca, intensidade e limiar de dor à pressão, alinhamento espinopélvico (fotogrametria, sensores inerciais e inclinometria) e mobilidade visceral, além de questionários sobre características clínicas da DP, qualidade do sono (PSQI-BR) e hábitos de vida. Resultados esperados: Espera-se identificar alterações específicas de alinhamento espinopélvico e mobilidade visceral em mulheres com DP, bem como maior sensibilidade dolorosa e pior qualidade do sono. Pretende-se propor um modelo biomecânico explicativo da DP que subsidie estratégias fisioterapêuticas preventivas e terapêuticas mais eficazes e integrativas.