Banca de DEFESA: MATTHEUS RODRIGUES DA SILVA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MATTHEUS RODRIGUES DA SILVA
DATA : 16/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sessão Virtual
TÍTULO:

Choques climáticos e serviços de saneamento na incidência de dengue, chikungunya e zika: evidência em escala regional e intraurbana no Nordeste do Brasil


PALAVRAS-CHAVES:

Arboviroses. Chikungunya. Clima. Saneamento. Diferenças em diferenças.


PÁGINAS: 163
RESUMO:

A tese reúne dois ensaios que questionam como condições ambientais e climáticas afetam a ocorrência de dengue, zika e chikungunya no Brasil, examinando essa relação por dois lados: um choque climático que eleva o risco e um serviço urbano que o reduz. Ambos exploram a variação do tratamento ao longo do tempo, com estimadores de diferenças em diferenças robustos à heterogeneidade e adequados a tratamentos não absorventes. O primeiro ensaio examina se a coincidência de calor extremo e seca meteorológica, um evento composto que as mudanças climáticas tornam mais frequente, eleva a incidência de dengue, chikungunya e zika nos municípios do Nordeste. A resposta é positiva, defasada e transitória, de cerca de 0,15 por período de tratamento, medida estável entre as janelas de seis e de doze meses, com pico de 0,26 no quinto mês e acumulado de 1,80 ao longo de doze meses, este referido a um episódio isolado, na escala de log(1+incidência notificada). O efeito concentra-se no semiárido e opera sobretudo na margem extensiva, pela reativação de municípios que haviam pausado as notificações. Nenhum extremo isolado reproduz esse padrão, e o contraste é de sinal, não de magnitude: o efeito estimado do calor é indistinguível de zero (0,44) e a seca sozinha reduz a incidência (−0,68), de modo que é a coincidência, e não cada extremo isoladamente, que produz o efeito. Como o choque é observável antes da resposta epidemiológica, abre-se uma janela de atuação preventiva anterior ao aumento dos casos. O segundo ensaio avalia se intervenções de saneamento urbano acionadas por demanda cidadã reduzem a incidência de chikungunya no Recife. Combinando o universo de execuções do sistema municipal com casos geocodificados numa malha hexagonal residencial, a incidência cai onde os serviços de remoção de criadouros operam de forma recorrente, em −0,31 na escala de log(1+casos), o que equivale, como ordem de grandeza, a cerca de 0,24 caso a menos por hexágono em cada mês de serviço. A queda concentra-se na fase de alta suscetibilidade ao vírus e não aparece em nenhum dos controles negativos: nem na manutenção da iluminação pública, nem nos serviços comportamentais, nem nas solicitações que permaneceram sem execução, todos indistinguíveis de zero. Como essas intervenções não foram concebidas como política de combate às arboviroses, o resultado epidemiológico é subproduto de uma rotina municipal de limpeza e manutenção urbana, execu- tada pelo poder público e complementada pela sinalização da população sobre demandas que a atuação ordinária não identifica. Os dois achados convergem para o mesmo instrumento: o lado climático localiza o risco no tempo, e o lado urbano mostra que a rotina que remove o criadouro já reduz a incidência sem ter sido desenhada para isso. Aproximar o controle vetorial da segurança hídrica e da gestão de resíduos sólidos é, portanto, menos criar um programa dedicado do que direcionar, com informação local, a capacidade que o município já mantém. Esse benefício não pesa, hoje, na decisão de onde executar o serviço.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 3384435 - FRANCISCO DE LIMA CAVALCANTI
Interno - 3340336 - HENRIQUE VERAS DE PAIVA FONSECA
Externa à Instituição - NOEMIA TEIXEIRA DE SIQUEIRA FILHA
Externa à Instituição - PAULIANA VALERIA MACHADO GALVÃO
Presidente - 1548308 - TATIANE ALMEIDA DE MENEZES
Notícia cadastrada em: 25/08/2026 14:12
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