EFEITOS BIOQUÍMICOS E COMPORTAMENTAIS DA EXPOSIÇÃO DE Stegastes fuscus AO FENANTRENO E AO AUMENTO DA TEMPERATURA
Peixes. Recife de coral. Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. Mudanças climáticas. Biomarcadores. Comportamento.
Os ecossistemas recifais são reconhecidos pela grande diversidade biológica e pela prestação de serviços ecossistêmicos. Mas estão cada vez mais ameaçados por impactos antrópicos incluindo poluição por efluentes domésticos e industriais, exploração e transporte de petróleo e seus derivados, aquecimento global, acidificação dos oceanos, sobrepesca e pisoteio de corais. Este estudo avaliou os efeitos ecotoxicológicos do HPA fenantreno e do aumento da temperatura, de forma isolada e combinada sobre o peixe recifal Stegastes fuscus, em exposição a concentrações de 10 e 100 µg L⁻¹ e temperaturas de 27 ºC e 30 ºC. O fator de condição e o índice hepatossomático foram avaliados para verificar possíveis informações sobre o bem-estar e condição nutricional dos peixes ao período de exposição. Os resultados mostraram diferenças significativas dos indivíduos em exposição, em comparação ao grupo de referência para ambas as métricas. A bile foi analisada por fluorescência fixa para detectar metabólitos de fenantreno. Os biomarcadores bioquímicos incluíram etoxiresorufina orto-desetilase (EROD), glutationa S transferase (GST), catalase (CAT), superóxido dismutase (SOD), acetilcolinesterase (AChE) e peroxidação lipídica (LPO). Foram analisados os comportamentos agonísticos de agressividade, de natação espontânea e de escototaxia. Os resultados mostraram um aumento significativo na bioconcentração do fenantreno em peixes expostos nas concentrações estabelecidas. A EROD e a AChE apresentaram diferenças significativas, enquanto as demais análises bioquímicas não diferiram estatisticamente. Os comportamentos agonísticos de exibição e mordida aumentaram a frequência ao fim do período de exposição nos grupos controle 27 ºC, 100 µg L-1 27 ºC e 10 µg L-1 30 ºC, em relação ao grupo controle 27 ºC do tempo 0, indicando que o fenantreno e o aumento da temperatura pode comprometer a capacidade dos peixes de memorizar e responder a situações ameaçadoras. Esses dados indicam efeitos comportamentais relevantes em S. fuscus após exposição ao fenantreno e ao aumento da temperatura.