ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DE EXTRATOS VEGETAIS FRENTE A CÉLULAS PLANCTÔNICAS E BIOFILMES DE Sporothrix brasiliensis
Esporotricose; Fitocompostos; Goiabeira; Cajueiro; Alternativa terapêutica.
A esporotricose, causada especialmente pelo fungo Sporothrix brasiliensis, representa um
grave problema de saúde pública no Brasil devido à sua alta virulência e à transmissão
zoonótica associada a felinos. Diante do surgimento de cepas com susceptibilidade reduzida
aos antifúngicos convencionais, como o itraconazol, a busca por novas substâncias bioativas
de origem natural tornou-se essencial. Assim, este estudo teve como objetivo determinar o
efeito antifúngico de extratos vegetais frente células planctônicas e biofilmes de isolados
clínicos de S. brasiliensis. Foram obtidos 57 isolados clínicos, sendo 55 de origem humana
e dois de origem felina. Extratos hidroacetônicos foram obtidos a partir das folhas de
Anacardium occidentale, Annona muricata, Guazuma ulmifolia, Psidium guajava e
Spondias mombin. O perfil de susceptibilidade ao Itraconazol (ITR) e a atividade antifúngica
dos extratos vegetais foram determinados por microdiluição em caldo. Inicialmente, foi
realizado um screening com os cinco extratos frente a dois isolados representativos,
permitindo a seleção dos mais promissores. A interação entre ITR e os extratos selecionados
foi avaliada por tabuleiro de xadrez. A atividade sobre biofilmes foi determinada por
quantificação da biomassa e atividade metabólica, enquanto alterações morfológicas em
células planctônicas foram analisadas por microscopia eletrônica de varredura. A
caracterização fitoquímica foi realizada por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência, e o
mecanismo de ação investigado por ensaio de ligação ao ergosterol. A citotoxicidade foi
avaliada em eritrócitos de carneiro. Dos isolados analisados, 21 apresentaram perfil de
susceptibilidade do tipo Wild ao ITR, com Concentrações Inibitórias Mínimas (CIM)
variando entre 0,12 e 1 μg/mL. Cepas com CIM ≥1 μg/mL foram selecionadas para análises
subsequentes. No screening inicial, os extratos de A. occidentale e P. guajava destacaram-
se por apresentarem as menores CIMs (8 a 16 μg/mL), sendo selecionados para análises
posteriores. O extrato de P. guajava demonstrou atividade em células planctônicas, com
CIMs de ≤ 2 a 8 μg/mL, além de apresentar efeito aditivo quando associado ao ITR. Este
extrato também foi capaz de inibir significativamente a atividade metabólica de biofilmes
em formação e maduros. Análises ultraestruturais revelaram hifas murchas, achatadas e com
perda de conteúdo citoplasmático. De forma semelhante, o extrato de A. occidentale
apresentou CIMs entre ≤ 2 e 8 μg/mL e demonstrou capacidade de reduzir em até 68% a
biomassa de biofilmes maduros na concentração de 64 μg/mL, além de induzir alterações
morfológicas como superfícies irregulares, enrugamento e colapso estrutural das hifas. A
caracterização fitoquímica de ambos os extratos revelou a presença de compostos fenólicos
como ácido gálico, ácido elágico e rutina. Os ensaios de citotoxicidade indicaram baixa
atividade hemolítica dos extratos nas concentrações antifúngicas, o que reforça o potencial
de ambos para o desenvolvimento de novos fármacos seguros. Em conclusão, estes achados
sugerem o uso de P. guajava e A. occidentale como fontes de compostos bioativos,
oferecendo uma base para futuras investigações e o desenvolvimento de novas estratégias
terapêuticas para o controle da esporotricose.