RELACIONAMENTO FILOGENÉTICO DOS OOMICETOS CAUSADORES DE MÍLDIO EM PLANTAS DA FAMÍLIA Asteraceae NO BRASIL E AVALIAÇÃO DE REGIÕES GÊNICAS PARA ESTUDOS FILOGENÉTICOS DE Pseudoperonospora EM CUCURBITÁCEAS
Bremia. Cox2. Filogenia. Plasmopara. Taxonomia.
Os oomicetos da família Peronosporaceae compreendem importantes fitopatógenos biotróficos responsáveis pelo míldio em diversas culturas de interesse econômico, incluindo espécies das famílias Asteraceae e Cucurbitaceae. A delimitação taxonômica desses organismos é dificultada pela reduzida variabilidade morfológica, pela plasticidade fenotípica e pela impossibilidade de cultivo em meio de cultura, tornando indispensável a integração de caracteres morfológicos e evidências filogenéticas para o reconhecimento de espécies. Neste contexto, esta tese teve como objetivo investigar a diversidade e as relações filogenéticas de oomicetos causadores de míldio associados a Asteraceae e Cucurbitaceae no Brasil, empregando uma abordagem integrativa baseada em dados morfológicos e moleculares. Foram realizadas coletas em diferentes regiões do país, seguidas de análises morfológicas e filogenéticas utilizando marcadores nucleares e mitocondriais, com reconstruções por Inferência Bayesiana e Máxima Verossimilhança. Os resultados demonstraram que as regiões gênicas cox2, cox2-1, ITS e β- tubulina fornecem elevado poder de resolução para estudos filogenéticos em Peronosporaceae. A análise multilocus das linhagens anteriormente atribuídas a Pseudoperonospora cubensis revelou dois clados bem suportados, permitindo o reconhecimento de Pseudoperonospora cucurbiticola sp. nov. como uma espécie distinta. Em Asteraceae, as análises filogenéticas e morfológicas resultaram na descrição de Plasmopara pernambucoensis sp. nov., além do primeiro registro de Plasmopara sphagneticolae para o Brasil e para a América do Sul e de Bremia sonchicola para o Brasil, ampliando o conhecimento sobre a distribuição desses oomicetos. Adicionalmente, a reavaliação do agente causal do míldio em Luffa aegyptiaca demonstrou que as amostras brasileiras constituem um clado monofilético distinto de Plasmopara australis, corroborado por diferenças morfológicas e moleculares, sustentando o reconhecimento de Plasmopara luffae como espécie independente. Em conjunto, os resultados evidenciam que a diversidade de Peronosporaceae associada a plantas cultivadas e espontâneas permanece subestimada, reforçam a importância da filogenia multilocus na delimitação de espécies e ampliam o conhecimento sobre a taxonomia, distribuição e especificidade aos hospedeiros dos agentes causais de míldio no Brasil, fornecendo subsídios para estudos evolutivos, epidemiológicos e para o manejo dessas doenças.