Biogeografia histórica e diversificação de Favolus e Neofavolus (Polyporales, Basidiomycota)
Área de distribuição; Padrão biogeográfico; datação por relógio molecular; taxas de diversificação; Polyporaceae
Fungos são um grupo diverso de organismo que desempenham papéis importantes nos ecossistemas terrestres como decompositores e simbiontes. Apesar de sua importância, o estudo sobre biogeografia desses organismos ainda está em desenvolvimento, quando comparado a animais e plantas, e os trabalhos se concentram nos representantes ectomicorrízicos. O objetivo desse trabalho, então, foi (1) investigar a história biogeográfica e os processos de diversificação de dois gêneros lignocelulolíticos com algumas espécies comestíveis, Favolus e Neofavolus,usando uma filogenia datada; e (2) modelar os fatores abióticos que moldam a distribuição da espécie-tipo do gênero Favolus, Favolus brasiliensis, no passado, presente e futuro. Construímos uma filogenia datada (ITS, LSU, TEF, RPB1; 73 táxons; 4 pontos de calibração) para estimar os tempos de divergência, as taxas de diversificação (BAMM) e reconstruir a distribuição ancestral (BioGeoBEARS). Empregamos Modelagem de Distribuição de Espécies (MDE) para F. brasiliensis em múltiplos períodos (LGM, Holoceno Médio, presente e futuro). O ancestral comum de ambos clados foi estimado em ~74 Ma, durante o Cretáceo superior. O ancestral de Favolus foi estimado em ~51 Ma (Eoceno), na região Neotropical, enquanto para Neofavolus foi estimada em ~56 Ma (Paleoceno), na região Paleártica. As taxas de diversificação não apresentaram mudanças abruptas (rate shifts), mas um declínio constante desde o Oligoceno (~32 Ma) para ambos grupos. A especiação simpátrica foi o principal mecanismo de diversificação de Favolus, enquanto para Neofavolus dispersão de área e especiação for evento fundador foi os mecanismos mais pronunciados, com a dispersão a longa distância (LDD) o motor da expansão global para ambos gêneros. A diversidade atual de Favolus e Neofavolus, de acordo com os modelos, são produtos de um acúmulo gradual de linhagens com baixas taxas de extinção. O modelo de distribuição para F. brasiliensis do LGM e Holoceno Médio não apresentaram áreas adequadas, sugerindo persistência em refúgios não capturados pela modelagem. Quanto ao atual, a área adequada para a espécie cobriu 29% da área total de estudo. Projeções futuras indicaram baixa perda de área adequada (<3%), mesmo em cenários pessimistas. A MDE para F. brasiliensis identificou a precipitação como um fator limitante e revelou uma alta estabilidade temporal em sua distribuição mesmo diante das mudanças climáticas futuras.