DIVERSIDADE DE ASCOMICETOS ASSEXUADOS EM FOLHEDO DE TRÊS ÁREAS DE MATA ATLÂNTICA NOS ESTADOS DE PERNAMBUCO E PARAÍBA
Funga tropical. Ciclagem biogeoquímica. Microfungos. Filogenia molecular. Unidades de Conservação.
A Mata Atlântica é um dos principais hotspots de biodiversidade global, onde as matas ciliares funcionam como reservatórios essenciais de serapilheira, substrato colonizado por ascomicetos assexuados. Esta tese investigou a diversidade, a distribuição e a dinâmica funcional dessa micota em três áreas remanescentes no Nordeste brasileiro: RPPN Serra do Contente (PE), REBIO Guaribas (PB) e Parque Estadual Dois Irmãos (PE). A pesquisa evidenciou uma elevada riqueza taxonômica, com o registro de 101 táxons, reforçando a importância desses fragmentos florestais como refúgios para espécies raras e esporádicas. Destaca-se o registro inédito de Kendrickiella phycomyces para o bioma, cuja identidade e posicionamento filogenético foram confirmados por meio de análises moleculares (sequenciamento e análise da região ITS do rDNA), revelando linhagens distintas de isolados de outras regiões geográficas. Os índices de diversidade e riqueza não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre as áreas estudadas, indicando uma uniformidade na complexidade da micota ao longo do gradiente amostrado. A integração de parâmetros químicos e bioquímicos indicou que a organização da micota é influenciada por um mecanismo de filtragem ambiental, no qual a qualidade nutricional do substrato atua como um importante fator de seleção. Variáveis como a disponibilidade de nutrientes lábeis e micronutrientes (ex. potássio e manganês) apresentaram correlações com a ocorrência fúngica, enquanto o uso do ergosterol como biomarcador permitiu a quantificação da biomassa fúngica metabolicamente ativa presente no substrato. Este estudo constitui o primeiro registro integrativo reunindo dados de composição de nutrientes da serapilheira, biomassa baseada no ergosterol e a comunidade de ascomicetos assexuados para o bioma. Conclui-se que esses fungos representam um componente biótico fundamental desses ecossistemas, sendo a integridade química da serapilheira essencial para a manutenção da diversidade e da biomassa fúngica na Mata Atlântica.