ESTUDOS SOBRE A INFLUÊNCIA DA SAZONALIDADE NA MORFOANATOMIA FOLIAR DE Cenostigma microphyllum (Mart. ex G. Don) E. Gagnon & G.P. Lewis e Cenostigma pyramidale (Tul.) Gagnon & G.P.Lewis (FABACEAE) NA CAATINGA
catingueira; folha; floresta seca; semiárido; tricomas; xilema
A vegetação da Caatinga é diversificada com altos níveis de endemismo, dotada de diversas estratégias foliares que maximizam a tolerância das plantas e evidenciam a capacidade das mesmas em se ajustar diante das mudanças no meio. Estudos sobre as estratégias vegetais em ambientes semiáridos, como a Caatinga, são de extrema importância na atualidade, sobretudo quando consideramos a previsão de uma redução de 30% da precipitação anual para essas regiões. Essa tese tem como objetivo principal avaliar os traços morfológicos e anatômicos foliares de Cenostigma microphyllum (semidecídua) e Cenostigma pyramidale (decídua), a fim de compreender a capacidade de ajuste dessas espécies sob a perspectiva do aumento da aridez em regiões semiáridas. Nas estações chuvosas, as espécies apresentaram folhas de maior área, mesofilo mais espesso e alto teor de amido. Na estação seca, C. pyramidale apresentou a combinação de estômatos menores e maior densidade, e cutícula espessa, enquanto que C. microphyllum apresentou maior densidade de tricomas tectores e glandulares e menor espessura cuticular na mesma estação. No tecido xilemático foliar observamos o investimento em vasos mais largos, e consequentemente, nervuras mais robustas nas estações chuvosas, ao passo que, na estação seca, os vasos foram mais estreitos e longos. Nossos achados evidenciam que a disponibilidade hídrica influencia a estrutura da folha em estágios foliares distintos, e que as estratégias fenológicas das espécies estão alinhadas com a anatomia da folha.