Mecanismos estruturais e fisiológicos do caule verde de uma espécie lenhosa na Caatinga
armazenamento; casca interna; caule fotossintético; floema; fluorescência da clorofila.
Em espécies lenhosas decíduas o caule fotossintético exerce papel sazonal importante no balanço hídrico e de carbono, porém os mecanismos que sustentam essa eficiência são pouco compreendidos. Avaliamos como o caule verde de Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B. Gillett (Burseraceae) responde à seca, testando a hipótese de que possui eficiência fotoquímica semelhante à das folhas, mas apresenta desempenho conservativo mediado por ajustes anatômicos e bioquímicos. Foram analisadas respostas ecofisiológicas da casca e das folhas em três áreas da Caatinga com diferentes níveis de seca, definidos pelo balanço hídrico do solo: mais seco (DS), umidade intermediária (IS) e mais úmido (WS). A espécie manteve elevados potenciais hídricos do xilema antes do amanhecer, com redução ao meio-dia e sob condições mais secas. As folhas de IS apresentaram maior acúmulo de amido e menor teor de açúcares solúveis; nos ramos de IS e WS, o amido foi mantido e os açúcares solúveis reduzidos na estação seca, enquanto nas raízes de DS ocorreu padrão oposto. Na estação chuvosa, folhas e cascas exibiram atividade fotoquímica semelhante entre áreas. Na estação seca, a atividade fotoquímica e a densidade de elementos de tubo crivado reduziram-se em DS e IS, mas foram mantidas em WS, associadas a maior conteúdo de pigmentos, maior alocação de floema e espessamento da casca interna. Esses resultados indicam que ajustes anatômicos e bioquímicos na casca interna sustentam sua eficiência fotoquímica sob seca.