Disponibilidade hídrica e retranslocação de nutrientes em uma floresta tropical seca
potencial hídrico; carboidratos não estruturais; custo de construção foliar; senescência foliar.
A seca é um dos principais fatores limitantes do desenvolvimento de espécies vegetais, reduzindo a disponibilidade de água e nutrientes e impondo fortes restrições ao crescimento das plantas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar a capacidade de retranslocação de nutrientes (N, P e K) e a alocação de carboidratos não estruturais (CNE) das folhas para outros órgãos (caule e raiz) em espécies lenhosas de alta e baixa abundância em uma área de floresta tropical sazonalmente seca (FTSS), bem como sua relação com o status hídrico dessas espécies. O estudo foi conduzido em uma área de baixa precipitação anual (480 mm), localizada no semiárido nordestino, no Parque Nacional do Catimbau, Buíque, Pernambuco. De modo geral, o efeito da abundância não diferiu entre os grupos de espécies de alta e baixa abundância. No entanto, há diferenças entre estações e órgãos. O potencial hídrico do xilema (Ψx) foi menor nas espécies de alta abundância, enquanto a concentração de CNE foi maior nas folhas em ambos os grupos. O nitrogênio (N) apresentou a menor eficiência de reabsorção foliar (NuRE), ao passo que o fósforo (P) e o potássio (K) exibiram maiores taxas de retranslocação. As concentrações de N, P e K foram mais elevadas nas folhas em comparação aos demais órgãos. Enquanto o custo de construção foliar (CCF) indicou uma tendência a valores mais elevados entre as espécies de baixa abundância, e a área foliar específica apresentou uma tendência para maior área em espécies de alta abundância. Nossos resultados sugerem que espécies de alta abundância atingem menor status hídrico ao longo do ano e folhas que consomem menos fotossintatos para a sua construção, o que pode ser uma estratégia de alta performance diante das condições climáticas em uma FTSS.