A BAIXA VIABILIDADE DE SEMENTES PODE CONTRIBUIR PARA A RARIDADE DE PLÂNTULAS NAS FLORESTAS SECAS? EVIDÊNCIAS DE UMA FLORESTA SECA DE CAATINGA
REGENERAÇÃO FLORESTAL; DISPERSÃO DE SEMENTES; TRAÇOS FUNCIONAIS.
A regeneração via sementes é crucial para a recuperação da diversidade funcional das Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (FTSS), mas enfrenta gargalos ecológicos severos. A qualidade fisiológica das sementes, avaliada por viabilidade e germinação, pode atuar como filtro primário limitante. Este estudo investigou a influência de atributos ecológicos e bioquímicos no desempenho de sementes de 59 espécies lenhosas de uma FTSS neotropical. Foram realizados testes de tetrazólio (viabilidade) e de germinação em casa de vegetação, correlacionados com síndrome de dispersão, porte, tamanho de semente e conteúdo de carboidratos não estruturais (CNE). Modelos de regressão beta explicaram 56% da variância na germinação e 15% na viabilidade. A síndrome de dispersão foi o preditor mais significativo: sementes zoocóricas apresentaram redução de 84% na probabilidade de germinação (p<0,001) e de 57% na viabilidade (p=0,036), comparadas a sementes de dispersão abiótica. O hábito arbustivo reduziu a germinação em 71% (p=0,002) em relação a espécies arbóreas. O conteúdo de CNE não foi um preditor significativo. Os resultados indicam que os gargalos iniciais ao recrutamento nas FTSS são predominantemente de origem ecológica e funcional, não bioquímica. A principal contribuição do estudo é quantificar como atributos de história de vida, especialmente a zoocoria, estruturam a fase de germinação, demonstrando que a dispersão por animais, embora vantajosa para disseminação, impõe um custo elevado à germinação autônoma das sementes.