AVALIAÇÃO DA ASSINATURA DO IFN-1 EM PACIENTES COM LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO DE INÍCIO NA INFÂNCIA
autoimunidade; interferon; LESi
Lúpus Eritematoso Sistêmico de início na infância (LESi) é uma doença autoimune rara que afeta crianças, especialmente meninas, entre 12 e 16 anos, com prevalência entre 3,3 e 8,8 por 100.000 crianças. As manifestações clínicas da doença, como as complicações renais, cardiovasculares e neurológicas são mais graves do que no lúpus em adultos (LES). O tratamento envolve antimaláricos, glicocorticóides e imunossupressores. O desequilíbrio imunológico, particularmente a produção de interferons tipo 1 (IFN-1) desempenha um papel central na progressão da doença. A assinatura de IFN-1, avaliada por genes stimulados por interferon (ISGs), é um ensaio pouco analisado em crianças e adolescentes. Este estudo teve como objetivo avaliar a assinatura de IFN-I associada às características clínico-laboratoriais de uma coorte de pacientes com LESi. Foram avaliadas 2 coortes, sendo 39 pacientes e 16 controles saudáveis compreendendo a coorte do estado de Pernambuco e 54 pacientes a coorte de São Paulo. A partir da coleta de sangue periférico de pacientes de Pernambuco e controles saudáveis, foi feito o isolamento de células mononucleares do sangue periférico (PBMC). Enquanto nos pacientes de São Paulo, o isolamento foi realizado a partir de leucócitos totais. Para a análise da assinatura do interferon-1, foram avaliados os genes alvos IFI27, IFI44L, IFIT1, ISG15, RSAD2 e SIGLEC1 com os genes de referência GAPDH e ACTB via PCR em tempo real. Além disso, os pacientes foram estratificados de acordo com parâmetros clínicos, laboratoriais e atividade da doença. A análise estatística foi realizada a partir da quantidade relativa normalizada (QRN) dos genes no GraphPad Prism® 8.0. Foram utilizados o teste de normalidade Shapiro-Wilk, teste t não pareado e Mann-Whitney para comparação entre 2 grupos e ANOVA e Kruskal-Wallis para comparações de mais de 2 grupos. Os pacientes de Pernambuco apresentaram scores de IFN-1 significativamente maiores que os controles saudáveis, nesta coorte, a maioria dos pacientes apresentou assinatura de IFN-positiva, porém não foram observadas associações com a atividade da doença ou com a maioria das manifestações clínicas. Foram identificados maiores valores de score de IFN-1 em pacientes com hipocomplementemia e maior expressão do gene IFI27 em pacientes com anti-DNA positivo. Já na coorte de São Paulo, os scores de IFN-1 foram associados à maior atividade da doença, à presença de serosite e de manifestação renal. Além disso, ISGs avaliados separadamente apresentaram expressão diferencial de acordo com a atividade da doença e manifestações renais, cutâneas, neuropsiquiátricas e serosites. Os resultados indicaram o envolvimento da via do IFN-I na fisiopatologia do LESi e sugerem que a assinatura de IFN-1 e a expressão de ISGs podem contribuir para a caracterização de diferentes perfis clínicos da doença.