MORFODINÂMICA DOS PRINCIPAIS DIVISORES DE DRENAGEM DO PLANALTO DA BORBOREMA
Morfometria; Geomorfologia estrutural; Divisor hidrográfico; Planalto da Borborema.
O divisor regional do Planalto da Borborema constitui um elemento fundamental para a organização espacial da drenagem, uma vez que seu posicionamento reflete um padrão predominantemente radial. Para além de sua função como limite hidrográfico, os divisores de drenagem integram a dinâmica sistêmica da paisagem, estando diretamente associados à evolução dos canais fluviais. As modificações decorrentes da migração dos divisores podem promover reorganizações na rede de drenagem, assim como mudanças na drenagem podem redefinir a posição dos divisores, sobretudo por meio de processos de erosão regressiva e avanço de cabeceiras, nos quais setores do divisor migram em direção aos canais “vítimas” em detrimento dos canais “agressores”. O estudo teve como objetivo analisar, sob uma perspectiva sistêmica, os elementos que compõem o subsistema cabeceira–divisor, identificando padrões de migração nos diferentes setores dos divisores e os principais fatores responsáveis pelo controle dessas dinâmicas no Planalto da Borborema. Nesse contexto, a aplicação de técnicas morfométricas aos divisores e à rede de drenagem mostra-se essencial para a compreensão dessas dinâmicas e para a modelagem de processos-resposta capazes de indicar cenários evolutivos. No estudo, foram empregados, de forma integrada, índices clássicos como curvas e integrais hipsométricas, hierarquização de canais fluviais, fator de assimetria de bacia hidrográfica e o Índice de Assimetria de Divisor (IAD), entre outros, com o objetivo de evidenciar as relações entre a rede de drenagem e os divisores hidrográficos. Os resultados indicam forte associação entre os padrões morfométricos e os controles estruturais presentes nas diferentes áreas, onde se desenvolvem os setores do divisor regional, notadamente nos setores meridional, transversal e setentrional do planalto. Esses setores apresentam redes estruturais com distintos graus de complexidade, associadas a diferentes níveis de base locais, que atuam como elementos propulsores dos processos de erosão remontante e influenciam diretamente a dinâmica erosiva do subsistema cabeceira–divisor.