INSERÇÃO DAS INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS (IAs) NO ENSINO DE GEOGRAFIA NAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE RECIFE/PE
Ensino de Geografia; Inteligências Artificiais; Aprendizagem personalizada; Mediação docente; Pensamento crítico.
Este trabalho investiga a inserção das Inteligências Artificiais no ensino de Geografia, problematizando seus usos pedagógicos à luz da personalização da aprendizagem e dos desafios éticos, epistemológicos e políticos que atravessam a escola pública contemporânea. Parte-se da compreensão de que as tecnologias digitais não operam como instrumentos neutros, mas como mediações que reorganizam práticas pedagógicas, modos de conhecer e formas de relação com o espaço geográfico. O estudo tem como objetivo compreender de que modo tecnologias digitais baseadas em Inteligências Artificiais podem ser integradas ao planejamento didático para promoção de trajetórias de estudo adaptadas às necessidades e ritmos individuais dos alunos, ao mesmo tempo em que estimulem o pensamento autônomo e crítico. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, ancorada na realização de entrevistas semiestruturadas com professores de Geografia da rede pública municipal do Recife, buscando captar percepções, usos, tensões e resistências frente à incorporação de plataformas algorítmicas no cotidiano escolar. A análise evidencia que, embora os docentes reconheçam potencialidades das Inteligências Artificiais, especialmente no apoio ao planejamento e à organização de conteúdos, persistem limites estruturais relacionados à infraestrutura tecnológica, à formação continuada e à ausência de espaços institucionais de reflexão crítica. Os resultados indicam que a personalização algorítmica tende a reorganizar prioridades cognitivas e rotas interpretativas dos estudantes, configurando o que se denomina territorialidades cognitivas, isto é, conjuntos de possibilidades de leitura e interpretação mediados por filtros, recomendações e padrões algorítmicos. Conclui-se que a integração das Inteligências Artificiais ao ensino de Geografia só adquire sentido formativo quando subordinada a um projeto pedagógico crítico, capaz de preservar a centralidade da experiência humana, da leitura do território vivido e da consciência espacial. Nesse horizonte, o professor reafirma-se como mediador ético e epistemológico, responsável por tensionar os limites da tecnologia e reconduzir o conhecimento ao campo da reflexão crítica, evitando que a aprendizagem se reduza à navegação informacional ou à captura algorítmica do aprender.