MONITORAMENTO DE ÁREAS SUSCEPTÍVEIS AO PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO NO MUNICÍPIO DE ITACURUBA – PE: UMA ANÁLISE ACERCA DAS CONDIÇÕES GEOAMBIENTAIS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIACHO DO BOI
Desertificação; Caatinga; sensoriamento remoto; análise geoambiental; Itacuruba; Núcleo de Cabrobó.
A bacia hidrográfica do Riacho do Boi, localizada no município de Itacuruba (PE), insere-se no Núcleo de Desertificação de Cabrobó, apresentando elevada vulnerabilidade socioambiental decorrente de pressões antrópicas históricas e severas condicionantes climáticas. Este trabalho apresenta os resultados parciais do projeto de mestrado que tem como objetivo monitorar as áreas susceptíveis ao processo de desertificação nessa unidade hidrográfica, integrando a análise das condições geoambientais à dinâmica de uso e cobertura da terra. O arcabouço teórico-metodológico apoia-se na perspectiva sistêmica dos geossistemas e da ecodinâmica da paisagem. Para a análise multitemporal e detecção de tendências da cobertura vegetal, serão empregadas técnicas de sensoriamento remoto com dados orbitais dos satélites Landsat e Sentinel-2 (cenários de 2020 e 2025), associadas à aplicação dos índices NDVI, SAVI e MSAVI, além dos testes estatísticos de Mann-Kendall e Sen's Slope. De forma complementar, a metodologia incorpora um levantamento fitossociológico detalhado da Caatinga por meio do método de parcelas fixas para validação estrutural da vegetação. Os resultados parciais revelam uma fragilidade pedológica expressiva, com destaque para a susceptibilidade erosiva e a degradação estrutural de Luvissolos e Planossolos sob forte pressão de pastoreio. No âmbito espectral, o NDVI apresentou limitações sazonais devido à influência do background do solo (teores de ferro e quartzo), ruídos que foram mitigados com o uso do SAVI e MSAVI, os quais delimitaram com maior acurácia as áreas de Caatinga rala e a resiliência da mata ciliar. Conclui-se, nesta etapa preliminar, que a integração vertical entre o monitoramento espectral, a análise de imagens de drone e o inventário de campo é indispensável para compreender os vetores de degradação e subsidiar propostas de manejo e conservação no semiárido.