ENSINO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA E A PEDAGOGIA FREIREANA: ESCUTAS, PRÁTICAS E POSSIBILIDADES PARA UMA FORMAÇÃO CRÍTICA E EMANCIPADORA
Formação docente. Geografia escolar. Formação continuada. Ensino crítico. Desafios estruturais.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar teoricamente e empiricamente, as práticas docentes em Geografia, considerando a formação inicial, a formação continuada e os desafios históricos, estruturais e culturais enfrentados pelos professores na educação básica, frente a formação crítica dos educandos, com base na Pedagogia Libertadora de Freire (1987) e no ensino dialógico e crítico na disciplina escolar Geografia. Com isso, a parte prática da pesquisa foi desenvolvida a partir da aplicação de questionários e entrevista com docentes de Geografia, que lecionam em escolas públicas e privadas dos bairros dos Curados em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Desse modo, buscando compreender como suas trajetórias formativas e condições de trabalho influenciam a construção de práticas críticas em sala de aula. Com isso, os resultados evidenciam lacunas significativas na formação inicial de professores de Geografia, considerando os aspectos políticos e históricos da implementação da Educação formal e da Geografia enquanto ciência no território brasileiro. Assim, marcada por insuficiências nos cursos de licenciatura em Geografia, que muitas vezes não oferecem subsídios teóricos e metodológicos suficientes para o enfrentamento das demandas reais das unidades escolares. Além disso, constatou-se a presença de professores oriundos de outras áreas, como História, atuando na disciplina de Geografia, o que revela tanto a carência de profissionais formados especificamente na área quanto a possibilidade de práticas interdisciplinares. Diante disso, os questionários e entrevista, apontaram ainda para problemas estruturais, como carga horária excessiva, baixa remuneração e falta de recursos, que dificultam a implementação de metodologias participativas. No entanto, no desenvolver da pesquisa, destacou-se a percepção de que, embora haja a valorização do diálogo e do vínculo afetivo com os estudantes, por parte dos docentes, foi problematizado que, a desmotivação discente e a ausência de equipamentos pedagógicos, comprometem a efetividade prática dos pressupostos metodológicos da pedagogia libertadora e do protagonismo discente nos processos de ensino e aprendizagem em Geografia. Conquanto, a pesquisa demonstra também que a formação continuada desempenha papel estratégico na superação dessas lacunas, fortalecendo práticas críticas e aproximando os docentes da pedagogia libertadora proposta por Paulo Freire. Portanto, conclui-se que, para que a Geografia escolar cumpra sua função social de promover consciência crítica e emancipação do pensamento, é necessário revisar os cursos de formação inicial de professores de Geografia e ampliar políticas públicas voltadas à valorização e qualificação do trabalho docente, garantindo, também, condições materiais e culturais que favoreçam o protagonismo discente e a construção de uma educação transformadora, frente aos paradigmas tradicionais dominantes do sistema educacional brasileiro.