O CINEMA DE IVAN CORDEIRO COMO PRÁTICA ESPACIAL: COTIDIANO, CIDADE E MEMÓRIA
Super 8; Pernambuco; Cotidiano; Espaço vivido.
O trabalho analisa como o cinema Super 8 pernambucano, especialmente os curtas de Ivan Cordeiro “Censura Livre” (1981) e “Convicentegil' (1982)” constrói uma geografia sensível da cidade por meio da articulação entre memória, cotidiano e espaço vivido. Partindo da ideia de que o espaço não é apenas material, mas também se constitui nas práticas cotidianas, nos afetos e nas lembranças, este estudo entende o Super 8 como linguagem que registra, reinterpreta e reinscreve as transformações do Recife. Metodologicamente, a pesquisa é qualitativa, bibliográfica e analítica, fundamentada em autores cujos estudos abordam questões sobre espaço, experiência cotidiana e as relações entre geografia e cinema. O trabalho contextualiza historicamente o Ciclo Super 8 como movimento contracultural e de resistência e, por fim, realiza análise fílmica dos curtas, considerando elementos técnicos, as percepções do diretor e as concepções elaboradas a partir de análises sob a perspectiva do espectador. A estrutura inclui a revisão teórica sobre os conceitos de espaço vivido e cotidiano, a discussão sobre o cinema e sua relação com a geografia, o panorama histórico do cinema pernambucano e um capítulo dedicado à biografia e à obra de Ivan Cordeiro, com análises dos dois curtas selecionados. A dissertação conclui que os filmes do cineasta atuam como prática cultural e discursiva, transformando seu cotidiano em memória coletiva por meio de imagens cinematográficas que se inscrevem como imagens geográficas. Os filmes documentam o real vivido por Ivan Cordeiro em suas leituras sensíveis do
Recife e contribuem para compreender como a cidade é vivida, lembrada e significada.