IDENTIFICAÇÃO DOS APICUNS NO COMPLEXO ESTUARINO DO RIO FORMOSO/ PE: ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL E CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DOS SEDIMENTOS
Planície Hipersalina; Manguezal; Geoquímica.
Os apicuns ou planícies hipersalinas, caracterizamse por apresentar elevados níveis de salinidade e em geral, ausência de vegetação lenhosa ou presença restrita de vegetação herbácea e podem ser considerados um estágio evolutivo do mangue, uma vez que corresponde a áreas que, em períodos anteriores, foram recobertas por vegetação típica de mangue. No entanto, apesar de sua importância ambiental, os apicuns ainda são pouco investigados de forma específica. Dessa forma, esta pesquisa tem como objetivo reconhecer e caracterizar os apicuns no complexo estuarino do Rio Formoso/ PE, considerando sua distribuição espaço-temporal (2003 - 2024) e a relação entre os componentes físico-químicos dos sedimentos. Para isso, foi realizado um levantamento bibliométrico da produção científica, conduzida utilizando bases de dados acadêmicos do Scopus e do Web of Science, para identificar o estado da arte das pesquisas sobre os apicuns. Além disso, a análise espaço-temporal foi conduzida por meio da interpretação visual de imagens de satélite obtidas no Google Earth Pro e de dados da Coleção 10 do MapBiomas, processados em ambiente SIG. Adicionalmente, foram selecionados e classificados apicuns quanto às suas características fisionômicas. Em campo, foram coletadas amostras de sedimentos em 20, 50 e 100 cm para análises químicas e físicas dos sedimentos, contemplando parâmetros como bases trocáveis (potássio, cálcio, magnésio e sódio), potencial hidrogeniônico, condutividade elétrica, capacidade de troca catiônica , saturação por bases, percentual de sódio trocável e teores de matéria orgânica, bem como os atributos físicos relacionados à granulometria (frações de areia, silte e argila), esses resultados serão integrados por meio de Análise de Componentes Principais (ACP). A revisão bibliométrica identificou apenas 30 estudos específicos sobre apicuns publicados entre 1966 e 2025, evidenciando a escassez de pesquisas sobre o tema. A análise espaço-temporal revelou redução de aproximadamente 19% da área ocupada pelos apicuns no estuário, passando de 100,04 ha em 2003 para 81,03 ha em 2024, esse processo está associada principalmente à recolonização por vegetação de mangue e, pontualmente, à expansão da carcinicultura. Os apicuns analisados foram classificados predominantemente como apicuns próprios de borda. As análises químicas indicaram elevada salinidade, forte sodificação e predomínio da sequência iônica Na⁺ > Mg²⁺ > Ca²⁺ > K⁺, além de baixos teores de matéria orgânica nos horizontes superficiais. Em alguns perfis, o aumento da matéria orgânica em profundidade e a redução do pH sugerem a presença de antigos depósitos de manguezal soterrados. Em suma, até o momento o trabalho concentrou-se nas fases preliminares da pesquisa, incluindo a construção da base teórica e metodológica, caracterização fisionômica e análises químicas de sedimentos.A classificação fisionômica mostrou diferenças entre apicuns internos, com maior heterogeneidade e hipersalinidade, e de borda, que estão na transição entre áreas continentais e estuarinas, refletindo processos sedimentares e hidrológicos. Salinidade e concentração de sódio foram os principais indicadores dessas áreas, indicativos de alta evaporação e baixa inundação. A pesquisa seguirá com análises físicas de sedimentos e aplicação de análises estatísticas, para identificar padrões, agrupar ambientes semelhantes e compreender os processos ambientais que moldam os apicuns no complexo estuarino Rio Formoso/ PE.