SOCIOBIODIVERSIDADE EM TERRITÓRIOS INDÍGENAS NO NORDESTE: POVO JENIPAPO-KANINDÉ, LAGOA DA ENCANTADA, AQUIRAZ-CE
povos indígenas; Jenipapo-Kanindé; natureza; território.
A presente pesquisa analisa a relação entre territorialidade, sociobiodiversidade e sociabilidades territoriais do povo Jenipapo-Kanindé, na Terra Indígena Lagoa da Encantada, localizada no município de Aquiraz, Ceará. Parte-se da compreensão de que os territórios indígenas constituem espaços de vida, memória, identidade e reprodução material e simbólica, nos quais natureza e cultura se articulam de forma indissociável. O objetivo geral consiste em compreender como a sociobiodiversidade e as práticas socioculturais e produtivas do povo Jenipapo-Kanindé contribuem para a construção, manutenção e fortalecimento de suas territorialidades e processos de re-existência. Especificamente, busca-se analisar a formação territorial do povo Jenipapo-Kanindé, identificar os elementos constitutivos da sociobiodiversidade local, compreender as práticas de manejo dos recursos naturais e examinar as formas de organização socioprodutiva, educativa e cultural presentes no território. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, de caráter participante, articulando pesquisa bibliográfica, documental e trabalho de campo realizado entre os anos de 2024 e 2025. Os procedimentos metodológicos incluíram observação participante, registros de campo e entrevistas semiestruturadas com lideranças, agricultores, educadores e demais membros da comunidade. Os resultados evidenciam que a sociobiodiversidade constitui elemento central da territorialidade Jenipapo-Kanindé, manifestando-se por meio dos conhecimentos tradicionais, das práticas agrícolas, do extrativismo, da pesca, das festividades, da educação escolar indígena e das relações espirituais estabelecidas com o território. Conclui-se que essas práticas fortalecem a identidade coletiva, a autonomia comunitária e os processos de defesa territorial, configurando importantes estratégias de re-existência frente às pressões históricas decorrentes da colonialidade, da expansão do capital e dos conflitos territoriais.