ONDE O CORPO PRODUZ O ESPAÇO: VIDA COTIDIANA NA COMUNIDADE DA ILHA DE DEUS, RECIFE-PE
Corpo e espaço; Corporeidades; Produção do espaço; Espaço Social; Fotoetnografia; Comunidade da Ilha de Deus.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar as relações entre corpo e espaço na Comunidade da Ilha de Deus, em Recife-PE, buscando compreender como os corpos de marisqueiras e marisqueiros produzem e significam o espaço vivido a partir de suas experiências cotidianas. O corpo constitui o objeto de estudo da investigação, sendo compreendido como dimensão por meio da qual práticas, saberes, afetos e formas de apropriação territorial produzem espacialidades. Fundamentada na teoria da produção social do espaço de Henri Lefebvre, a pesquisa articula a tríade espacial do espaço social (práticas espaciais, representações do espaço e espaços de representação) aos conceitos de corporeidade, cotidiano e Geografia da Diferença, entendendo o espaço como uma construção social continuamente produzida pelas relações entre corpo e espaço. A pesquisa é qualitativa e de natureza interpretativa e adota o método etnográfico como fundamento para a compreensão das experiências vividas e dos significados atribuídos pelos sujeitos às suas práticas espaciais. Metodologicamente é estruturada em quatro etapas: revisão bibliográfica, trabalho de campo, sistematização dos dados e análise interpretativa. O trabalho de campo utiliza observação participante, diário de campo, registros fotográficos e fotoetnografia, compreendida como procedimento metodológico de produção e interpretação de dados, permitindo analisar como gestos, movimentos, práticas de trabalho, memórias e afetos expressam diferentes formas de produzir e vivenciar o espaço. Os dados são interpretados à luz das categorias analíticas de Lefebvre, especialmente sua tríade da produção do espaço. Os resultados evidenciam que a produção do espaço na Ilha de Deus é continuamente construída pelas práticas corporais, pelos conhecimentos tradicionais da mariscagem e pelas experiências cotidianas de seus moradores, revelando espacialidades que ultrapassam representações hegemônicas sobre comunidades periféricas. Conclui-se que a articulação entre corpo, cotidiano e espaço permite compreender as corporeidades como elemento central da produção dos espaços vividos.