MONITORAMENTO DE ÁREAS VERDES URBANAS: PARÂMETROS AMBIENTAIS E PRESENÇA DE LIQUENS COMO
BIOINDICADORES
biomonitoramento; colonização liquênica; infraestrutura verde; microclima urbano; qualidade ambiental.
O processo de urbanização tem promovido profundas alterações na dinâmica ambiental das cidades, resultando na substituição da cobertura vegetal por superfícies impermeáveis, no aumento das ilhas de calor urbanas, na degradação da qualidade do ar e na intensificação da vulnerabilidade socioambiental. Nesse contexto, as Áreas Verdes Urbanas (AVUs) desempenham papel essencial na regulação do microclima, na mitigação do aquecimento urbano, na melhoria da qualidade do ar e na manutenção da biodiversidade. Entretanto, a eficácia desses serviços ecossistêmicos depende da conservação de suas condições ambientais, tornando necessária a adoção de abordagens integradas para o monitoramento da qualidade ambiental. Apesar dos avanços científicos, ainda são escassos os estudos que integram variáveis microclimáticas e bioindicadores em áreas verdes urbanas. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a qualidade ambiental da Praça do Derby, localizada em Recife (PE), por meio da integração entre variáveis microclimáticas (temperatura e umidade relativa do ar e concentração de CO₂) e a ocorrência de liquens como bioindicadores da qualidade do ar, considerando as variações espaciais e sazonais, bem como a relação entre a colonização liquênica e as espécies arbóreas presentes. A pesquisa foi desenvolvida na Praça do Derby, selecionada com base em critérios ambientais, estruturais e de representatividade urbana. Foram estabelecidos 30 pontos de monitoramento distribuídos em diferentes compartimentos da praça, abrangendo áreas com distintos níveis de cobertura arbórea e de influência do entorno urbano. As coletas foram realizadas nos períodos chuvoso e seco, nos turnos da manhã e da tarde, utilizando medidor portátil para registro da temperatura do ar, da umidade relativa e da concentração de CO₂. Paralelamente, realizou-se o inventário da arborização, com georreferenciamento dos indivíduos arbóreos, identificação botânica preliminar e avaliação visual da ocorrência de liquens. Os resultados parciais evidenciaram uma composição arbórea composta por 294 indivíduos distribuídos em 27 táxons preliminarmente identificados, com predominância de espécies exóticas e de árvores de grande porte. As análises microclimáticas demonstraram padrões espaciais bem definidos, caracterizados por temperaturas mais elevadas, menores valores de umidade relativa e maiores concentrações de CO₂ nos setores periféricos da praça, próximos às vias de intenso tráfego, enquanto as áreas internas, com maior densidade arbórea, apresentaram temperaturas mais amenas, maior disponibilidade de umidade e menores concentrações de CO₂. Embora tenham sido observadas diferenças sazonais entre os períodos chuvoso e seco, a organização espacial desses padrões permaneceu relativamente constante, evidenciando a influência da estrutura da arborização sobre o microclima local. A avaliação da ocorrência de liquens revelou distribuição heterogênea entre as espécies arbóreas, sugerindo que tanto as características das árvores hospedeiras quanto as condições ambientais influenciam o estabelecimento desses organismos. As conclusões parciais indicam que a composição arbórea constitui elemento fundamental para a organização das condições microclimáticas da Praça do Derby e que a distribuição dos liquens reflete a interação entre fatores biológicos e ambientais. Assim, a integração entre indicadores físicos e biológicos mostrou-se uma abordagem
promissora para o monitoramento da qualidade ambiental, fornecendo subsídios para o planejamento e a gestão de áreas verdes urbanas mais resilientes.