LEVANTAMENTO GEOSSISTÊMICO DE CAMPO PARA A CARTOGRAFIA DE PAISAGENS: PROPOSTA METODOLÓGICA E APLICATIVO MÓVEL PARA COLETA E PROCESSAMENTO DE DADOS
Cartografia de Paisagens; Geossistemas; Levantamento de campo; Proposta metodológica; Aplicativo móvel; Dados geoespaciais.
A cartografia de paisagens é um campo consolidado da Geografia Física, mas o levantamento de dados em campo que a sustenta carece de padronização metodológica: fichas de campo variam entre pesquisadores e grupos, o registro em papel é fisicamente frágil, e a digitalização posterior introduz erros de transcrição e inconsistências taxonômicas entre levantamentos. Este trabalho tem como objetivo propor um protocolo padronizado de levantamento geossistêmico de campo para a cartografia de paisagens, fundamentado na teoria dos geossistemas , e desenvolver o Nomos, aplicativo móvel que operacionaliza esse protocolo. A pesquisa segue os princípios da Design Science Research (DSR), articulando dois produtos complementares. O primeiro, apresentado no Capítulo I, é um protocolo estruturado em quatro eixos (controle espacial e homogeneidade da amostra; estado e fisionomia da vegetação; condicionantes geoecológicos; dinâmica e antropização) e uma síntese nomenclatural que compõe automaticamente o nome da unidade de paisagem a partir dos dados coletados. O segundo, apresentado no Capítulo II, é o Nomos, aplicativo desenvolvido em React Native com persistência local em SQLite e operação integralmente offline, estruturado como uma plataforma extensível de plugins capaz de hospedar tanto o protocolo científico de referência quanto protocolos
personalizados definidos pelo próprio pesquisador. O aplicativo processa os dados em tempo real, classificando a fisionomia da vegetação e nomeando a paisagem, além de integrar-se a bases de biodiversidade (GBIF, SpeciesLink) e exportar os dados em formatos interoperáveis com sistemas de informação geográfica. O aplicativo passou por duas fases de teste distintas para sua validação: uma fase técnica de laboratório, conduzida em ambiente controlado e voltada à verificação da estabilidade e da integridade dos dados, e uma fase de validação com especialistas de domínio, voltada à avaliação da usabilidade e da adequação científica do instrumento. Os resultados indicam que a integração entre um protocolo teoricamente fundamentado e uma ferramenta digital que o processa automaticamente reduz a subjetividade do registro de campo e amplia as possibilidades de aplicação da cartografia de paisagens em contextos científicos, didáticos e de gestão territorial.