SECAS METEOROLÓGICAS NA MICRORREGIÃO DE ITAPARICA – PE: RELAÇÕES ENTRE ANOMALIAS TÉRMICAS NOS OCEANOS ATLÂNTICO E PACÍFICO E ÍNDICES DE EXTREMOS CLIMÁTICOS DE PRECIPITAÇÃO
Secas meteorológicas; Teleconexões climáticas; Anomalias da Temperatura da Superfície do Mar; Semiárido brasileiro; Gestão de Riscos de Desastres.
As secas meteorológicas constituem um dos principais fenômenos climáticos que afetam o Semiárido do Nordeste brasileiro, sendo fortemente influenciadas pela interação entre processos oceânico-atmosféricos de grande escala e condicionantes físicoambientais locais. A presente dissertação parte da hipótese de que a ocorrência e a intensidade das secas meteorológicas na Microrregião de Itaparica, Pernambuco, resultam da atuação integrada de teleconexões oceânicoatmosféricas, da circulação atmosférica regional e dos condicionantes físicoambientais locais, refletindo-se na variabilidade espaço-temporal da precipitação. O objetivo consistiu em analisar a influência das Anomalias da Temperatura da Superfície do Mar (ATSM) dos oceanos Pacífico e Atlântico sobre a ocorrência de secas meteorológicas na Microrregião de Itaparica, de modo a subsidiar o planejamento territorial e fortalecer estratégias de adaptação e redução dos riscos associados a esses eventos. A metodologia baseou-se na integração de dados físicoambientais, climatológicos e oceânico-atmosféricos. Para a caracterização da área de estudo, utilizaram-se bases cartográficas oficiais e informações sobre relevo, solos, uso e cobertura da terra. A análise climatológica fundamentou-se em séries diárias de precipitação referentes ao período de 2003 a 2024, complementadas por dados de sensoriamento remoto para o preenchimento de falhas. As teleconexões foram avaliadas por meio de índices de anomalias da temperatura da superfície do mar, enquanto os índices de extremos climáticos de precipitação foram calculados com o auxílio do software Climpact, permitindo analisar a intensidade, a frequência e a duração dos eventos pluviométricos extremos. Os resultados evidenciaram que a variabilidade pluviométrica da Microrregião de Itaparica é fortemente influenciada pela interação entre os padrões de teleconexão e a circulação atmosférica regional, destacando-se o fortalecimento da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) e o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) durante os períodos de seca mais severa. Verificou-se que a atuação conjunta do ENOS, da ODP e do SAODI estabeleceu condições oceânico-atmosféricas favoráveis à redução das chuvas, especialmente entre 2012 e 2017. Em escala local, os índices de extremos revelaram que a seca meteorológica foi caracterizada principalmente pela elevada irregularidade temporal da precipitação, expressa por longos períodos consecutivos sem chuva intercalados por episódios isolados de elevada intensidade, insuficientes para promover a recuperação das condições hidrológicas. A análise também evidenciou diferenças espaciais entre os
municípios, associadas às características do relevo, dos solos e da cobertura da terra, demonstrando que os condicionantes físicoambientais modulam a resposta local às forçantes climáticas de grande escala. Conclui-se que a seca meteorológica na Microrregião de Itaparica resulta da interação entre teleconexões oceânico-atmosféricas, circulação atmosférica regional — com destaque para a atuação da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) e da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) — e condicionantes físicoambientais locais, manifestando-se principalmente por meio da irregularidade temporal da precipitação, mais do que pela simples redução dos totais anuais de chuva. Os resultados corroboram a proposta e evidenciam que a compreensão integrada desses fatores amplia o entendimento sobre a dinâmica das secas meteorológicas no Semiárido, fornecendo subsídios para o monitoramento climático, o planejamento territorial, a gestão dos recursos hídricos e o fortalecimento das estratégias de adaptação e da Gestão de Riscos de Desastres.