Banca de DEFESA: MARIA CRISTIANE PEREIRA DOS SANTOS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA CRISTIANE PEREIRA DOS SANTOS
DATA : 14/10/2021
HORA: 17:00
LOCAL: Online
TÍTULO:

Na linha de frente no combate a Covid-19: o real do trabalho para técnicos e auxiliares de enfermagem do HC-UFPE


PALAVRAS-CHAVES:

Psicodinâmica do trabalho. Enfermagem. Pandemia Covid-19. Trabalho
prescrito e trabalho real. Estratégias de defesas.


PÁGINAS: 140
RESUMO:

Este estudo objetivou compreender a mobilização da subjetividade dos técnicos e auxiliares
de enfermagem, da linha de frente no combate ao novo coronavírus, do Hospital das Clínicas
(UFPE), sob a luz da teoria Psicodinâmica do Trabalho. Trata-se de um estudo descritivo com
abordagem qualitativa. Esse estudo foi realizado no setor de Enfermaria de Doenças
Infecciosas e Parasitárias (DIP) do HC-UFPE, com coleta de dados através de entrevistas
semiestruturada com 13 profissionais, sendo 12 técnicos de enfermagem e 01 auxiliar de
enfermagem, atuantes na linha de frente de combate ao novo Coronavírus na DIP e/ou no
Bloco vida (UTI Covid) ambos setores direcionados ao tratamento de pacientes COVID-19.
Para análise dos dados utilizou-se a análise dos núcleos de sentidos, método que possibilita
realizar a classificação dos temas em núcleos de sentido, categorizando os temas pelo critério
de semelhança de significado semântico, lógico e psicológico. Os temas categorizados foram
organizados em três eixos do método de Análise da Psicodinâmica do Trabalho (APDT). Os
temas e eixos foram discutidos e analisados a partir da Psicodinâmica do Trabalho,
utilizando principalmente os conceitos de Dejours, a interpretação também utilizou o aporte
teórico psicanalítico. Como principais resultados o eixo I apresenta como a gestão buscou
estabelecer de forma rápida as prescrições necessárias ao trabalho; identificou-se normas
rígidas e seguidas rigorosamente, devido ao elevado risco de contaminação pelo Sars-CoV-2;
além dos riscos biológicos, os profissionais foram expostos a cargas psíquicas elevadas; e em
circunstância do período pandêmico fatores externos também afetaram a relação com o
trabalho. O real do trabalho suscitou sofrimento, vivência de fracasso devido as mortes dos
pacientes em contraposição ao desejo de salvar vidas, os profissionais enfrentaram as diversas
formas de resistência do real, alcançando a transformação de suas subjetividades. No eixo II:
Constatou-se que a organização do trabalho possibilitou espaço para o uso da mobilização
subjetiva como estratégia para enfrentar o sofrimento, revelou-se como formas de inteligência
prática a familiarização com o trabalho, trabalhar o próprio psicológico e os saber-fazer
discretos. O reconhecimento foi obtido pelos pares, clientes e hierarquia. O coletivo e a
cooperação foram constituídos também pela formação de laços de sentimentos entre os
trabalhadores, a cooperação foi considerada fundamental para enfrentar as dificuldades do
trabalho na linha de frente. Foi revelado que o mais prazeroso para esses profissionais é a
recuperação da saúde e a alta dos pacientes. No eixo III: identificou-se a construção de
defesas coletivas contra os riscos físicos e psíquicos no trabalho, identificou-se estratégias
defensivas coletiva de negação do medo e como defesa individual a sublimação. O fator que
mais gerou sofrimento no trabalho foi a elevada mortalidade dos pacientes, fato que se
contrapõe a atividade sublimatória e desejos desses profissionais de salvar vidas. Indicando a
necessidade de ampliar as concepções e formas de reconhecimento no trabalho dos
profissionais de enfermagem para que sejam reconhecidos não só quando conseguem salvar
vidas, mas também pela árdua tarefa de cuidar dos pacientes diante da morte, pois a ausência
desse reconhecimento intensifica o sofrimento no trabalho.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1207840 - DENILSON BEZERRA MARQUES
Externa à Instituição - ROBERTA DE SOUZA PEREIRA DA SILVA RAMOS
Interna - 48862 - ROSANE MARIA ALENCAR DA SILVA
Notícia cadastrada em: 13/10/2021 16:25
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