ANÁLISE ESPACIAL E TEMPORAL DA NATIMORTALIDADE NO ESTADO DE PERNAMBUCO E SUA RELAÇÃO COM OS FATORES SOCIOECONÔMICOS, DEMOGRÁFICOS E DA REDE MATERNO INFANTIL: implicações para a gestão em
saúde
natimortalidade; análise espacial; desenvolvimento humano; determinantes
sociais da saúde; saúde materno-infantil; Pernambuco.
A presente tese analisa a distribuição espacial e a evolução temporal da mortalidade fetal nos
municípios de Pernambuco entre 2010 e 2022. O estudo investiga a associação desse desfecho
com o desenvolvimento humano e fatores socioeconômicos e assistenciais, partindo da
premissa de que a natimortalidade é um marcador sensível da qualidade do cuidado e das
desigualdades estruturais. Adotou-se uma abordagem retrospectiva e ecológica, utilizando
técnicas de análise exploratória de dados espaciais, como o Índice de Moran e estatística LISA,
além de modelagem econométrica por regressão espacial com efeitos fixos. Os resultados,
baseados em uma amostra de 20.028 óbitos, revelaram uma trajetória de redução não linear da
taxa de mortalidade fetal, com picos associados às epidemias de Zika e COVID-19. Identificou-
se uma autocorrelação espacial inversa estatisticamente significativa, com a formação de
aglomerados críticos de alta mortalidade e baixo desenvolvimento humano concentrados
predominantemente nas mesorregiões do Sertão e Agreste. A modelagem estatística confirmou
que o desenvolvimento socioeconômico municipal reduz sistematicamente o risco de óbito
fetal, evidenciando que um aumento de 0,100 ponto no IFDM socioeconômico está associado
a uma redução de aproximadamente 10,26% na taxa de mortalidade. O componente educação
foi identificado como o motor primário dessa proteção, operando com maior intensidade em
modelos defasados temporalmente, o que sugere um efeito acumulativo das melhorias
estruturais. Conclui-se que a mortalidade fetal no estado é um fenômeno territorialmente
estruturado e socialmente determinado. A redução sustentada desse agravo requer políticas
públicas intersetoriais e territorializadas que articulem investimentos em educação,
infraestrutura urbana e qualificação da rede de atenção materno-infantil, focando especialmente
no enfrentamento das disparidades regionais e intraurbanas persistentes no território
pernambucano.